A Igreja Católica quer reorganizar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que foram muito prejudicadas com o rápido processo de urbanização do Brasil nas últimas décadas. O assunto será discutido entre os dias 28 e 30 deste mês, no 6º Encontro Intereclesial das Comunidades de Base do Paraná, a ser realizado no Centro de Eventos, em Jacarezinho. O encontro tem como tema ‘‘Justiça e Profecia a serviço do Reino’’ e como lema ‘‘Comunidades romeiras no campo e nas cidades’’.
  O bispo de Cornélio Procópio, dom Getúlio Teixeira Guimarães, responsável pelas comunidades de base no Paraná, diz que o encontro está sendo preparado há mais de um ano e deve reunir cerca de mil pessoas que vão participar como delegados representantes das 18 dioceses do estado. ‘‘Esse encontro tem por objetivo reavivar a caminhada da Igreja desde o começo das comunidades de base até hoje e mostrar que as comunidades são romeiras no campo e também nas cidades’’, afirma.
  As Comunidades Eclesiais de Base surgiram no Brasil e na América Latina na década de 1960 e ganharam força de modo especial no interior, onde havia maior participação dos fiéis. Elas foram inspiradas na Teologia da Libertação, que se preocupa com o ser humano em todos os aspectos e não apenas do ponto de vista espiritual. ‘‘As comunidades sempre tiveram uma preocupação muito grande em ter a palavra de Deus como centro e como orientação para a vida cristã; elas se alicerçam muito no sentido da prática da vivência, de fazer alguma coisa concreta para resolver os problemas que estão à sua volta, seja uma pessoa doente, um excluído ou alguém sem emprego’’, explica.
  Dom Getúlio lembra as conferências dos bispos da América Latina, a partir de Medellin e Puebla, sempre incentivaram a formação de pequenas comunidades como um caminho para a Igreja. ‘‘O desenvolvimento do espírito comunitário é uma necessidade também nas favelas e nos bairros; é nas pequenas comunidades que as pessoas trabalham, sofrem, se alegram, onde cada um vive a sua vida e se sente importante’’, justifica.
  Segundo ele, o desenvolvimento do censo de comunidade é necessário para se criar uma sociedade mais fraterna e menos individualista. ‘‘A fé da pessoa cresce na medida em que ela procurar assumir o irmão no seu dia a dia, nas suas dificuldades, porque a pessoa não pode se fechar em si, eu e Deus, e esquecer os irmãos e as irmãs; quem se esquece dos irmãos e das irmãs também está se esquecendo de Deus’’, afirma.
  As CEBs eclodiram em todo o Brasil, contraditoriamente, durante o regime militar, em uma época em que havia restrições às reuniões em sindicatos, escolas e igrejas.

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