Comunidade se mobiliza por rodovias seguras
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quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Benedito Teles <br> De Santo Antônio da Platina 
A Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) bloqueou as rodovias PR-092 e BR-153 no último dia 21, durante uma hora. As filas de veículos, nos três sentidos do trevo de Santo Antônio da Platina que dá acesso a Joaquim Távora, chegaram 1,5 quilômetro. De acordo com o prefeito de Japira e presidente da Amunorpi, Wilson Ronaldo Rony Oliveira Santos (PFL), o objetivo foi alcançado porque a comunidade se mobilizou para exigir o início das obras de recuperação dos dois trechos. ''Queremos a recuperação imediata. O prejuízo humano e econômico é imenso para a região'', disse Santos.
Para o prefeito de Ibaiti, Roque Jorge Fadel (PTB), a rodovia causa um prejuízo social e financeiro incalculável para a região. ''Perdemos muitas vidas nestes buracos'', lamentou.
O agricultor de Carlópolis, Daniel Ribeiro da Silva abandonou, com sua família, o ônibus que aguardava o fim do bloqueio e continuou a viagem até Santo Antônio da Platina caminhando. Ele disse que não podia esperar e resolveu percorrer os oito quilômetros a pé. Apesar do desconforto, Silva garantiu que o protesto é válido. ''Estas estradas são as piores do Estado. Temos que conscientizar os governos sobre a deficiência das rodovias''.
A estratégia de paralisar o tráfego das rodovias para pressionar os órgãos responsáveis pela conservação e recuperação das estradas é utilizada pelas lideranças políticas da região há cerca de quatro anos. Além do bloqueio do último dia 21, a BR-153 foi paralisada, pelo menos, outras quatro vezes, duas em 1998, uma em 99 e outra em 2000.
Segundo o ex-prefeito de Conselheiro Mayrinck, Paulo de Oliveira, a principal paralisação foi em 98, próximo a Conselheiro Mayrinck. Oliveira diz que a participação da região foi intensa devido à revolta da população local por causa de um acidente com vítimas fatais. Um dia após o protesto, foi realizada uma operação tapa-buraco. ''O problema nunca é resolvido porque os buracos sempre aparecem depois da próxima chuva''. O protesto teve o apoio das paróquias da região e contou com a participação de quase 300 pessoas.
O presidente do PFL de Ibaiti, Gilmar Cândido, coordenou quatro bloqueios. Ele lembra que todas as paralisações foram semelhantes, com utilização de slogans como ''BR-153, vergonha do Paraná'' e ''711 buracos''. O nome da campanha fazia alusão ao número de buracos registrado pela Polícia Militar.
Cândido lamentou a ausência de lideranças políticas nos protestos anteriores e disse que estava surpreso com o apoio das lideranças políticas no movimento. Segundo ele, o principal mérito dos movimentos era a recuperação parcial da rodovia. ''Apesar de medidas temporárias, conseguimos a realização de tapa-buracos para diminuir os prejuízos e os riscos de acidentes'', declarou.
O coordenador também reclamou da ausência das comunidades dos municípios. ''As pessoas não vestiam a camisa. Apenas alguns se empenhavam'', desabafou.
O diretor-regional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), João Alberto Sautchuk, informou através de sua assessoria que o Ministério dos Transportes vai recuperar 60 quilômetros da BR-153, entre Santo Antônio da Platina e Ibaiti. Sautchuk afirmou que o edital de licitação para obra de restauração da BR-153 deve ser divulgado em outubro.
Já o diretor-geral do DER, Paulinho Dalmaz, disse que o projeto para recuperação da PR-092, entre Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva, está na etapa final. Na terça-feira, o governador Jaime Lerner (PFL) divulgou o edital de licitação.


