Jacarezinho - Um projeto social que cresceu e se transformou numa associação tem levado trabalho e renda a dezenas de mulheres de Jacarezinho. A Comfibra (Associação de Artesanato em Fibras Naturais) faz a junção de artesanato, negócio e desenvolvimento sustentável num projeto que completa oito anos e é exemplo de associativismo e responsabilidade social em todo Estado.
Formado por donas de casa, ex-cortadoras de cana e agricultoras, a Comfibra oferece capacitação e renda através do artesanato com fibra de bananeira, taboa e palha de milho. Na associação, são produzidas peças de decoração, presentes, utilidades domésticas e demais artigos artesanais com matéria-prima e mão de obra locais, com o objetivo principal de melhorar a qualidade de vida de mulheres de baixa renda familiar.
Além da parte social, a Comfibra se tornou também um projeto sustentável, pois trabalha com matéria-prima natural, orgânica e não poluente. As fibras são colhidas em propriedades da região que cultivam bananeiras tratadas e próprias para o artesanato. A colheita é toda manual, as fibras são tratadas e secas ao sol e quando estão prontas vão para o tear, onde o talento das artesãs é posto em prática com a confecção de diversas tramas diferentes.
Com 45 famílias associadas, as artesãs ingressam na Comfibra através de um curso de capacitação, onde aprendem desde a colheita das fibras até a negociação de venda da peças produzidas. "É um negócio autossuficiente, onde as associadas participam de todos os processos de produção até a divisão da venda. Aqui as mulheres encontram além de uma fonte de renda, a valorização do seu trabalho e autoestima, pois também descobrimos verdadeiros talentos do artesanato", afirmou a vice-presidente da Comfibra Eliane Pereira.
Ângela Maria Batista está há cinco anos na associação e conta que mudou de vida após integrar a Comfibra. "Antes eu não tinha renda nenhuma era dona de casa e hoje me considero uma microempresária, pois tenho uma ocupação e agrego renda para minha família. Aqui além do trabalho faço amizade, sou valorizada e me sinto bem", relata.
Algumas mulheres integrantes do projeto garantem renda de até um salário-mínimo, somente com a confecção das peças. Além da venda de produtos em sua sede em Jacarezinho, as artesãs também participam de workshops, feiras e exposições em todo o País. Segundo a vice-presidente da associação, o próximo objetivo da Comfibra é a exportação para outros países. "Temos uma boa negociação em todo o Brasil e alguns clientes do exterior já conhecem e compram nossos produtos através de alguns fornecedores. Queremos fixar ainda mais nossa marca e expandir nossa associação com a venda para o mercado de artesanato internacional", disse Eliane.

Conquistas
A Comfibra é coordenada pelo Sebrae e já ofereceu capacitação para mais de 1,5 mil mulheres de Jacarezinho. A associação que começou com um projeto social chamado "Bairro que Faz", hoje tem sede própria e é responsável pela exportação de peças para todos País, além de conquistar diversos prêmios de caráter nacional como o ‘Prêmio Top 100 Artesanato’, promovido pelo Sebrae, sendo reconhecida entre as 100 melhores empresas nacionais. A Comfibra também foi aprovada pelo programa ‘Petrobras Fome Zero’, um dos principais patrocinadores da associação, que também recebe incentivos do próprio Sebrae e da Prefeitura. Outra conquista da associação é o fornecimento de peças para loja Tok&Stok com quem mantém um contrato de R$ 4 mil mensais, e leva o nome da Comfibra para todas as filiais da empresa.

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