Combate à dengue exige persistência
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
A falta de conscientização aliada à acomodação da população dificulta o combate à dengue no Norte Pioneiro. A queixa tem sido quase unânime entre os coordenadores de combate a endemias, secretários de saúde e chefes de regionais de saúde ouvidos pela reportagem da FOLHA. Um dos motivos para o relaxamento das pessoas tem sido a redução dos casos confirmados em relação aos últimos dois anos, no entanto basta uma chuva e um descuido com a água empoçada para que se formem criadouros de mosquito Aedes aegypt, vetor da doença.
A Secretaria Estadual de Saúde (SESA) divulgou na semana passada números relacionados aos riscos de epidemia de dengue. Dos 263 municípios avaliados no Paraná, foram analisados 28 municípios do Norte Pioneiro e nenhum deles possui o risco de ocorrência de epidemia de dengue considerado alto segundo o índice de infestação predial (IIP). Nove deles possuem médio risco, 18 apresntaram baixo risco e um não apresentou os dados, o que não quer dizer que não sejam infestados. Esses números representam uma melhora da situação em relação aos últimos dois anos, quando foram registrados altos índices de infestação na região. Por esse motivo os agentes de endemias têm constatado um relaxamento da população em relação ao problema, o que é perigoso, pois como os sorotipos continuam circulando na região, a qualquer momento essa tendência de queda pode se reverter.
Um dos municípios que apresentou uma queda acentuada no número de casos confirmados foi Cornélio Procópio. No ano passado foram registrados 3.189 notificações e deste total foram confirmados 2.799 casos. Neste ano os números caíram para 39 notificações e nenhum caso confirmado. A responsável pelo setor da vigilância epidemiológica, Valéria Tondinelli, atribuiu o alto número de casos confirmados à troca dos agentes, que foram contratados este ano. No entanto, agora que a situação se estabilizou, o desafio é motivar as pessoas a continuarem mobilizadas. ''O problema é a falta de conscientização das pessoas. O pessoal relaxa muito'', criticou.
A Secretária de saúde, Alessandra Mariucci, destacou que Cornélio enfrenta um grande problema nos imóveis em que moram os estudantes de faculdades, pois durante três meses esses imóveis ficam fechados. ''Talvez este ano o problema seja menor, já que houve paralisação das instituições federais'', afirmou. Ela também solicitou à América Latina Logística que limpe os trilhos da linha ferroviária. Uma parceria com o Corpo de Bombeiros possibilitou ainda a fiscalização de lajes e caixas d' água.
Em Bandeirantes também houve queda no número de casos, no entanto, não foi tão expressiva como a registrada em Cornélio. O coordenador da vigilância em saúde Reinaldo Marqui levantou que no ano passado foram registrados 487 notificações e 227 deles foram confirmados pelo Laboratório Central do Paraná (Lacen). ''Nós realizamos fiscalizações frequentes , mas é preciso um pouco de colaboração por parte das pessoas, pois uma semana depois da inspeção a situação no mesmo local já está em pior situação, pois as pessoas alegam falta de tempo e os criadouros acabam passando despercebidos.
Os casos importados também continuam preocupando. A coordenadora de endemias de Abatiá, Michelle Roberto dos Reis destacou que tanto em 2011 como em 2012 os casos confirmados foram importados. ''Em 2011 tivemos 10 notificações com a confirmação de apenas dois casos importados. Neste ano foram seis casos notificados. A única confirmação até agora é de um caso importado'', observou. Ao mesmo tempo, os focos tradicionais são inspecionados continuamente. Um exemplo são as borracharias instaladas na cidade, onde há um acúmulo grande de pneus. ''Está dando um certo trabalho, mas agora levamos os pneus velhos para uma área coberta e quando reunimos uma certa quantidade, uma empresa vem buscá-los'', explicou.
Segundo o chefe da 18 Regional de Saúde do Paraná, Reinaldo Lavorato, responsável por 21 municípios da região de Cornélio Procópio, houve 90% de queda do número de casos em sua regional, mas também apontou como ''o lado ruim dessa curva descendente'', a desmobilização das pessoas. ''Temos que instruir a população para não baixar a guarda e não deixar acumular água em seus quintais, pois os mosquitos já estão se procriando e o combate deve ser permanente'', enfatizou.



