Aos 72 anos, o professor e pesquisador Ismar de Oliveira Soares, da Universidade de São Paulo (USP), esbanja entusiasmo quando fala do conceito e da linha de pesquisa que desenvolveu, no início dos anos de 1990, como parte do seu trabalho de pós-doutorado. "Na década de 1970, já iniciei uma série de trabalhos na área de leitura crítica da mídia e a criação do conceito ‘Educomunicação’ foi consequência de um longo processo de estudos e pesquisas. Optar pelos esse neologismo foi proposital e tem a intenção de preservar uma coerência epistemológica do conceito. Como exemplo disso, ele não se encaixa de forma alguma em uma linha de educação autoritária. O diálogo e a democratização das relações de comunicação são a base fundamental de tudo, independentemente de ideologias políticas", garante Soares.
Segundo ele, o tema vem ganhando destaque no Brasil, e há diversas iniciativas pontuais muito satisfatórias, com destaque para o município de São Paulo (SP) que possui lei municipal Educom, desde 2004, com mais de 11 mil professores e alunos capacitados na área. "Existe uma certa polêmica entre tendências de pesquisa. Posso citar como parte disso o conceito de Mídia e Educação, que acaba focando mais na área de educação. Já a minha proposta é mais abrangente e envolve a comunicação em um sentido mais amplo; está mais para gestão da comunicação", explica. Considerado uma das maiores referências teóricas sobre o assunto, inclusive em âmbito internacional, Soares criou recentemente uma licenciatura em educomunicação pela USP. (A.P.N.)

mockup