Voltando da 40º Assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, transcrevo, aqui, trechos da mensagem comemorativa dos 50 anos da CNBB e que narram alguns de seus trabalhos durante todo esse tempo.
Nos anos 50, década de sua fundação (14/10/52), a CNBB iniciou suas atividades unindo às preocupações pastorais básicas, como a família cristã e as vocações sacerdotais, o interesse por grandes temas nacionais, como o desenvolvimento do Nordeste e da Amazônia, a reforma agrária e o acesso à educação. Nos diversos níveis da sua ação nacional, regional e local, recebeu, desde o início, a colaboração generosa e abnegada de leigos e leigas, presbíteros, religiosas e religiosos.
Nos anos 60, a CNBB participou ativamente do Concílio Ecumênico Vaticano II, cujas determinações procurou divulgar e implantar no Brasil por meio do Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970). Teve também atuação expressiva na Conferência Episcopal Latino-americana de Medellín (1968). Cuidou da reforma litúrgica e da tradução dos novos livros, oferecendo, até hoje, subsídios para orientação e incentivo da participação ativa dos fiéis na oração comunitária da Igreja. Promoveu o diálogo ecumênico com as Igrejas cristãs, consolidando, mais tarde, laços de solidariedade e cooperação com o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) e incentivando o diálogo inter-religioso.
Nos anos 70, a CNBB distinguiu-se na defesa dos Direitos Humanos, na luta contra a tortura e na reivindicação da democratização do País. Ao mesmo tempo, voltou-se, com maior empenho, para a defesa dos direitos dos lavradores e dos trabalhadores urbanos e para a promoção das comunidades eclesiais de base, confiadas a ministros leigos e leigas e a religiosas, tanto no campo como nas periferias urbanas. Com isso, a CNBB cresceu em ardor missionário e se empenhou firmemente na defesa dos povos indígenas.
Nos anos 80, favoreceu a manifestação dos anseios populares e de sua acolhida na Constituição da República, em 1988, e conseguiu a manutenção do ensino religioso nas escolas públicas. Ao mesmo tempo, incentivou a participação dos leigos e leigas católicos em movimentos sociais e políticos e infundiu novo vigor à ação catequética e à formação sacerdotal, estimulada por forte aumento de vocações ao ministério presbiteral.
Nos anos 90, empreendeu os caminhos da ‘‘nova evangelização’’, em resposta à emergência de novos anseios na cultura e no comportamento, sem descuidar dos direitos dos pobres e dos excluídos, gerados pela modernização seletiva, que enriqueceu alguns e produziu desemprego, precariedade e novas formas de pobreza para muitos.
Atendendo ao apelo do Papa João Paulo II, a CNBB animou o povo cristão a se preparar para celebrar o Grande Jubileu da Encarnação. O Projeto ‘‘Rumo ao Novo Milênio’’ despertou nas comunidades nova consciência missionária e testemunho evangélico, trazendo novas esperanças ao povo.
O desenvolvimento recente acentuou, ainda mais, a diferenciação da sociedade brasileira e seu pluralismo religioso, cultural e político, tornando mais complexa a ação da CNBB e dividindo as opiniões a seu respeito. Entretanto, reafirmamos o dever do episcopado de enfrentar questões sociais, pois temos consciência de nossa co-responsabilidade na construção de uma sociedade livre e pacífica, justa e fraterna, nos esforçamos para remover os obstáculos à difusão do Evangelho e dar testemunho de nossa fé em Cristo que, ‘‘por sua encarnação uniu-se de certo modo a cada ser humano’’ (Gaudium et Spes, 22)
Dom Fernando José Penteado, bispo de Jacarezinho

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