Citros transgênicos podem ser a salvação
Nova América da Colina - O surgimento do greening traz de volta uma palavra que a maioria dos citricultores do Paraná não gostaria de lembrar: erradicação. É que nas décadas de 1970 e 1980 os citricultores paranaenses foram obrigados a erradicar seus pomares sob a suspeita de que estavam contaminados com cancro cítrico, doença que poderia atingir o vizinho Estado de São Paulo.
O engenheiro agrônomo Ciro Marcolini diz que a erradicação dos pomares no Paraná na época foi provocada por um lobby do Estado de São Paulo, que queria a exclusividade nacional na produção de citros. O cancro cítrico é uma doença que provoca lesões nas folhas e nos frutos, que ficam com a casca mais grossa, o que dificulta a comercialização.
O Paraná só voltou a plantar laranja na década de 1990. Hoje a doença está totalmente sob controle. Além de variedades resistentes a doenças, há outros cuidados para evitar a contaminação, como a criação de cercas naturais em volta dos pomares, por exemplo.
Marcolini diz que tanto o cancro cítrico quanto o greening são doenças bacterianas. A diferença, explica, é que o cancro cítrico está sob controle e já não assusta mais os produtores, enquanto o greening é uma doença nova, que está fora de controle em vários lugares e começa a assustar muita gente.
Laranja transgênica
Para Marcolini, a única forma, no momento, de evitar a expansão do greening é a criação de variedades de citros transgênicos, assim como já existe com a soja, o milho e outras culturas. O pesquisador diz que no produto transgênico, a doença pode até atingir uma variedade transgênica, mas ela não se desenvolve, ou seja, não causa prejuízos.
O engenheiro agrônomo diz que há vários estudos sobre a criação de citros transgênicos no Brasil, mas a liberação do plantio depende do Ministério da Agricultura e Abastecimento, e não há previsão de quando isto pode acontecer.
Segundo ele, quando a mudança for autorizada, vai demorar cerca de 15 anos para que todas os pomares sejam substituídos. (E.A.)





