A cidade de Siqueira Campos, a 200 quilômetros de Londrina, tem um indicador na área de trabalho capaz de fazer inveja para muitos países europeus na atualidade. Enquanto os níveis de desemprego na Grécia, por exemplo, se aproxima de 20% e na Espanha de 24%, na cidade do Norte Pioneiro este índice é de apenas 4,5%. Só para se ter uma ideia, uma em cada grupo de quatro pessoas está desempregada na Espanha, enquanto em Siqueira Campos este índice é o inverso: apenas uma em cada grupo de 22 pessoas está sem emprego.
O município tem 18.454 habitantes de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2010. A população economicamente ativa, aquela apta para o trabalho, é formada por 9.487 pessoas, das quais 9.076 estão ocupadas. Ou seja, apenas 411 pessoas estão sem emprego na cidade, não por falta de trabalho, mas na maioria dos casos por falta de qualificação. Hoje, diversas empresas locais buscam trabalhadores em outras cidades vizinhas para atender a demanda.
O segredo está em uma situação fora do comum para a maioria das cidades do Norte Pioneiro. Além de Siqueira Campos ser um polo do setor de confecção, que emprega cerca de 1.800 trabalhadores, 20% da mão de obra local, há taambém uma empresa que trabalha na produção de peças e acessórios para motos. Sozinha a Pro Tork gera 2,5 mil empregos, o que corresponde a quase 30% do total. Na cidade, é difícil encontrar uma família que não tenha uma ligação direta ou indireta com a Pro Tork, considerada a maior fabricante de peças para motos da América Latina.
A Pro Tork é uma empresa familiar, fundada há 20 anos, e iniciando suas atividades com um número reduzido de funcionários, apenas 30 na época. Hoje, a empresa fabrica todo tipo de equipamentos e acessórios para motos, com a produção destinada para mais de 10 mil revendedores em todas as cidades do país. Só capacetes, são produzidas 12 mil unidades por dia. E para não ficar condicionada à disponibilidade das transportadoras, a empresa montou um esquema de logística, fazendo a distribuição com frota própria, o que permite atender a qualquer região do país em no máximo uma semana.
Agora, a empresa está expandido seus negócios, com investimentos previstos de R$ 50 milhões aplicados na fabricação de uma marca própria de motos. Esta unidade vai gerar cerca de 500 empregos no prazo de um ano. Os destaques são a Fly 50, de 50 cilindradas, destinada ao público infanto-juvenil; a Fly 100, de 100 cilindradas, e um triciclo de cargas com capacidade para transportar até 200 quilos. Este modelo vem atender a uma demanda de mercado, sem precisar que as motos convencionais passem por uma série de adaptações para cumprir aquela finalidade.
O gerente de implantação da montadora, Loacir Lima, diz que o mais importante na fabricação de uma marca própria é que a empresa quebra o tabu de que a montagem de motos é algo exclusivo da Zona Franca de Manaus.
Agora, a empresa vai investir também na fabricação de uma marca própria de bicicletas. A unidade já está sendo construída e deve entrar em operação em março de 2013. A estimativa é que serão gerados 800 novos empregos.
O empresário Leodir Bonilha, diretor de recursos humanos da Pro Tork, admite que há uma certa dificuldade em recrutar tanta gente. ''O número de empregos que nós oferecemos é muito grande, a gente vai selecionando os melhores, mas não é fácil manter o nível'', afirma.

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