Depois de um bom período de seca e calor, que comprometeu parte da produção de trigo no Norte Pioneiro, as chuvas dos últimos dias serviram para amenizar os prejuízos dos produtores da região.
A estiagem, que durou do final de maio a meados de julho, provocou uma quebra de 12% na produção prevista para este ano. Na avaliação do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, a chuva não reverte a quebra na safra, mas evita novas perdas. ''Por isso, a mudança de clima foi recebida com muito otimismo pelos produtores'' diz o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral.
Os maiores índices de quebra foram registrados no Norte do Paraná, com uma média de 28,6% de redução. No Sul, Centro-Oeste e Oeste o clima está favorável para a cultura, podendo compensar a queda no Norte. ''Se as condições climáticas continuarem favoráveis nestas regiões a produtividade pode ser maior, compensando a queda no Norte'', acredita Vera Zardo, do Deral. Ela diz, no entanto, que as lavouras ainda estão suscetíveis à geadas tardias e às chuvas na colheita. O trigo começa a ser colhido em setembro e a colheita prossegue até novembro.
O Paraná é o maior produtor brasileiro de trigo, respondendo por aproximadamente 60% da produção nacional. O Norte do Estado é responsável por 38% da produção. Nessa safra, o Paraná plantou 1 milhão de hectares do cereal e deverá colher 2,1 milhões de toneladas. O rendimento médio está estimado em 2,29 mil quilos por hectare. A colheita do trigo vai de novembro a setembro.
A produção paranaense de grãos de inverno deverá atingir nesta safra 3 milhões de toneladas e ser 30% maior que a verificada no período anterior. A previsão, segundo o Deral, tem por base o crescimento da área plantada para 1,32 milhão de hectares (variação de 14%) e a recuperação da produtividade das lavouras, afetadas em 2001 pelas geadas.
Também estão apresentando crescimento na produção a cevada (62%), aveia preta (21,8%), centeio (22,65%) e triticale (5,6%). A produção de aveia está crescendo de 80,6 mil toneladas para 130,9 toneladas; a aveia preta de 123,3 mil para 150,1 mil toneladas; o centeio de 1,2 mil para 1,38 mil toneladas; e o triticale (híbrido de centeio e trigo) de 178,8 mil para 186,7 mil toneladas.

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