Chedid, o cavaleiro que seguiu o trem
Aos 30 anos de idade, casado, o libanês José Jorge Chedid se estabeleceu com açougue em Cambará e logo assumiu o cargo de delegado de polícia. Em 1924, foi ser balseiro no Paranapanema, de dia manobrando uma balsa do major Barbosa Ferraz e à noite, uma pequena e própria.
De dia, eu entregava todo o dinheiro aos Barbosa; de noite, eles deixavam a arrecadação para mim, recordaria Chedid aos 96 anos (Folha de Londrina, 8/7/83). Durante o dia, retardava as travessias, a fim de conseguir bom movimento à noite. Ganhei bom dinheiro com as balsas.
E veio o melhor negócio, entre 1930 e 31: fornecer carne bovina para as refeições de cinco mil trabalhadores na construção da ferrovia de Cornélio Procópio a Jatahy e desta cidade a Londrina.
O lastro atingiu Londrina em 1934 e Chedid, terminado o contrato, fixou residência na cidade e abriu açougue anexo ao armazém do patrício David Dequêch. Mas poderia ter ido à Índia, a convite do engenheiro MacDonald, que também encerrara a sua participação na construção da Ferrovia São Paulo-Paraná e já estava com serviço contratado naquele país. (W.S.)





