O destaque que o basquete de Jacarezinho tem conseguido no cenário esportivo estadual foi o fator determinante para que o município fosse escolhido como uma das sedes do Centro de Excelência em Basquete. São 250 crianças, entre cinco e 14 anos, que recebem orientações e treinamento básicos no esporte. ‘‘Nosso principal objetivo é retirar as crianças das ruas, proporcionando técnicas e fundamentos suficientes para revelar novos atletas’’, explica o ex-técnico da Seleção Paranaense juvenil feminina, Roberto Botarelli.
A maior jogadora de basquete do País, Hortência Macari, participou da inauguração, em junho de 1998. ‘‘Jacarezinho foi a única cidade do Norte do Paraná que trouxe a atleta para uma inauguração’’, lembra Botarelli.
As professoras do Centro de Excelência são ex-jogadoras de Botarelli, que também é fundador do Clube de Pais e Amigos do Basquete de Jacarezinho. Criado em 1991, o clube agilizou a prática do basquete em Jacarezinho e o esporte passou a conquistar bons resultados em competições no Paraná, em Santa Catarina e São Paulo.
Atualmente, Jacarezinho está entre os melhores do Estado. Desde o início, há 23 anos, o técnico tem revelado atletas, que já conquistaram muitos títulos para o município. Para o treinador, o Norte Pioneiro é muito fraco em ternos de clubes, ‘‘pois falta incentivo para o crescimento do esporte na região’’.
Botarelli começou a treinar o time de basquete por acaso. Segundo ele, após ter se formado em Educação Física, os times de Jacarezinho iriam participar dos Jogos Escolares do Paraná. Como opção, viajou como técnico do time de basquete. A equipe ficou entre os quatro melhores da competição e, a partir daí, o basquete tornou-se um desafio. ‘‘Minha vontade era ser técnico de vôlei ou handebol, só que o único time que estava sem técnico era o de basquete. Então, aceitei o desafio’’, revela. ‘‘Nunca fui jogador de basquete. Foi o único esporte que não pratiquei’’.
O técnico é conhecido pelo seu jeito rigoroso dentro das quadras. Faz questão de que seus times tenham um bom desempenho. Cada categoria treina duas horas por dia durante toda a semana. Botarelli diz que o time só estará completo se todas as meninas estiverem indo bem na escola, ou seja, quem está com dificuldade ou notas baixas, não participa das competições. ‘‘O professor exige aplicação nos estudos, notas boas. Quando uma das atletas está com dificuldades na escola, ele faz questão de ajudar. Se for preciso ele até dá aula de reforço. Por isso, as viagens nunca atrapalham’’, diz Andréia Luiza Néia Cossulin, 23 anos, ex-aluna de Botarelli e hoje professora do Centro de Excelência de Basquete de Jacarezinho.
Para ela, pelo menos 90% das crianças, jovens e adolescentes de Jacarezinho, se não permaneceram, pelo menos passaram pelos treinamentos de basquete. Andréia afirma que Botarelli sempre teve um relacionamento aberto com suas atletas e isso é um incentivo para o esporte ‘‘ter dado tanto certo’’ em Jacarezinho.

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