A viagem começou com a comitiva dividida em grupos. Os cavaleiros percorreram as estradas que serviam como limites para as fazendas do município e que em outras épocas eram utilizadas como canais de ligação para os sitiantes se deslocarem até as cidades para comercializar seus produtos e abastecer a dispensa. ‘‘Cavalguei muito nesta região. Os sitiantes se concentravam próximos aos rios, mas também era possível encontrar algumas casas perto das estradas’’, revelou o vereador de Santo Antônio da Platina, Jair Cândido da Silva, o Nambu.
O vereador lembrou com saudade da época em que as casas eram abastecidas com água das minas e que o contato do homem com a natureza era mais intenso. ‘‘Percorríamos muito este trecho para chegar a Santo Antônio da Platina’’, explicou.
Durante a partida o sol quente não rivalizava com nenhuma nuvem e a temperatura subia conforme Platina ficava para trás. A viagem tranquila apresentava a verde paisagem da região. A constante presença de áreas para a pecuária revelava imensos tapetes que eram interrompidos no sopé das serras e dos montes. A região recortada e o chão forrado de pedras não permitiam que a comitiva acompanhasse a estrada e os cavaleiros se deslocavam por entre a vegetação rasteira.
A cada porteira que se abria, uma nova paisagem surgia no horizonte. O Rio Jacaré, com quase 10 metros de largura, foi vencido sem dificuldade pela comitiva. Os cavaleiros passaram ainda pela estrada do Monjolinho, que dá acesso a Ribeirão Claro. A alta temperatura fazia aumentar o cansaço do grupo. A estrada cascalhada dificultava o avanço dos animais.
Segundo o cavaleiro Celso Botelho o trecho era considerado um dos pontos de ligação do Estado de São Paulo com o Sul do País. ‘‘No começo do século este caminho era muito utilizado com tropas sendo conduzidas para o Sul ou para o Sudeste. Não haviam estradas como as atuais’’, explicou.
A comitiva finalmente chegou ao Ribeirão do Meio e iniciou a etapa final do trajeto. Mas antes de encerrar a aventura, um merecido descanso nas margens do Ribeirão do Meio e um banho rápido nos cavalos. Uma medida importante para ‘‘renovar’’ os animais, segundo os cavaleiros mais experientes.
Este foi o ponto em que as comitivas começaram a se encontrar. Apesar do cansaço, as dificuldades haviam ficado para trás e a sensação do grupo era de que a cada galope o distrito se aproximava. A chegada teve um aspecto de surpresa, com Três Corações surgindo no horizonte. Finalmente a comitiva P-36 se reuniu e entrou no distrito, em tempo de participar da missa e aguardar o início de um rodeio e de um baile promovido pela comunidade local para recepcionar as comitivas. (B.T.)

mockup