Carvão superior traz urânio e molibdênio
Depois de ajudar o advogado Zoilo Simões a abrir o primeiro ''poço'' de carvão em Figueira, em abril de 1943, o aventureiro Aurélio Carneiro Lobo passou três anos (43,44,45) extraindo óleo de xisto em Sapopema, onde herdara 1 mil alqueires do pai. Filho de tradicional família de Jaguariaíva, Aurélio (apelidado ''Cecéu'') produzia até 300 litros de óleo a cada 24 horas com o mineral posto em alta temperatura num forno a lenha, usando utensílios nacionais de ferro adaptados a um processo alemão pelo amigo Teodoro Dietrich. Ante a escassez de petróleo durante a Segunda Guerra Mundial, ele vendeu o combustível alternativo para movimentar caminhões, embora houvesse o inconveniente de diminuir a vida útil dos motores.
Já se conheciam indícios de carvão e as primeiras são anteriores à CPRM, que chegou a operar numa área da Mineropar (Minerais do Paraná S/A). Segundo o histórico da Nuclebrás, o reinício da prospecção em toda a bacia sedimentar do Paraná, em 1969, incluiu aproximadamente 1 mil km2 de áreas em Ibaiti, Figueira, Curiúva e Sapopema, onde se chegou à jazida de urânio em 1977. No ano seguinte, houve o reconhecimento, com a abertura do poço de 126 metros e, no fundo, a galeria exploratória de 750 metros de comprimento; instalando-se em 1979 o laboratório de análises de amostras.
Em aproximadamente 3 km2 no sopé da Serra Grande, 70% do urânio está no arenito e 30% no carvão; nos dois casos associa-se um porcentual de molibdênio, mineral apropriado à produção de aços de elevada resistência.
A busca ao urânio complementou pesquisas anteriores do carvão, indicando 42 milhões de toneladas, com a fração da melhor qualidade apresentando características apropriadas ao coque para os altos-fornos das metalúrgicas, expôs à FOLHA (1981) o engenheiro Wladimir Teixeira Madeira, então coordenador de prospecção da CPRM. A análise leva em conta apenas os carvões nacionais (inferiores aos especificados no exterior), ficando o de Sapopema em desvantagem pelo índice de enxofre, 4,78%, em comparação ao de Santa Catarina (2%).
O carvão em Sapopema situa-se a 400 metros de profundidade, sendo viável economicamente pelo maior aproveitamento (74%) e a extração simultânea com o urânio e o molibdênio. Em Figueira, a extração se faz no máximo a 140 metros, mas com aproveitamento inferior, 64% (sobram 36% de rejeitos). A camada média em Figueira é de 70 centímetros, inferior à de Sapopema, 1,20 metro. (W.S.)





