''Nos distantes anos 40, o mineiro começou a lavrar carvão nas profundezas da terra escarpada da Figueira. (...) órfão de qualquer progresso, mas (...) arrojado e movido por inabalável fé.'' Eis a evocativa abertura da mensagem no monumento ao mineiro em Figueira, único município do Paraná em que a mineração carbonífera mantém escala industrial e se parasse, hoje, eliminaria 370 empregos diretos.
É a maior participação no universo de aproximadamente 2.300 pessoas ocupadas no município (em 2010), onde uma termelétrica da Copel consome quase toda a produção e a sua reforma permitirá a manutenção dos postos de trabalho por mais 30 anos, no mínimo.
Outrora, quatro mineradoras tiveram 800 trabalhadores em Figueira; diminuindo a procura pelo carvão nas décadas de 50 e 60, ficou apenas uma. Desde ''aqueles distantes anos'' já trabalharam na remanescente Companhia Carbonífera Cambuí 8.900 pessoas, número superior aos 8.293 habitantes do município.
Quem revela a estatística é João Edgar Camargo, funcionário administrativo da Cambuí, lembrando que seu pai, José dos Anjos, se aposentou ali. Cambuí, nome do lugar onde está mina.
O carvão rendeu diretamente ao Município R$ 103.687,29 de Compensação Financeira por Exploração Mineral (CFEM) em 2010. Falta apurar a contribuição em impostos de outras atividades decorrentes da mineração. No trimestre mais recente, a Cambuí recolheu mensalmente R$ 16.128,83 de Imposto sobre Serviços (ISS) e segundo a Secretaria de Fazenda do Estado, o ICMS por origem de contribuinte no Município atingiu R$ 118,5 mil em 2010.
A termelétrica se mantém principalmente pelo subsídio federal ao preço do carvão e desativá-la, conforme cogitou o Governo do Estado, seria cessar a mineração. ''Graças ao trabalho do Sindicato, a usina não foi fechada, nem a mina, porque o governador Roberto Requião queria o fechamento'', afirma Jacob Kmita, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Carvão do Estado do Paraná (STICarvão, com a sede em Figueira).
O sindicato uniu-se a outras entidades e à comunidade, que se manifestaram ''em bloco'', e solicitou autorização a Cambuí, para argumentar com o interesse da empresa, segundo Kmita. E assim conseguiu a intervenção do presidente da República e do ministro das Minas e Energia, então Luiz Inácio Lula da Silva e Jacques Wagner, para que se mantivesse a termelétrica.

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