Cornélio Procópio - O aumento descontrolado do número de capivaras no Norte Pioneiro está causando prejuízos para os produtores rurais e se transformando em uma ameaça ao abastecimento de água de algumas cidades.
O estrago é visível nas propriedades atingidas. Um exemplo é a plantação de milho da família Costa, ao lado da Mata São Francisco, em Cornélio Procópio, bem perto da nascente do Rio Araras, que abastece a cidade de Santa Mariana. As capivaras comem os pés de milho, cortam o caule quase rente ao solo e roem apenas parte das espigas, espalhando os restos pelo chão. Como é uma espécie de hábitos aquáticos, após os estragos nas lavouras, elas vão para as nascentes dos rios, onde tomam banhos e eliminam suas fezes.
O proprietário rural Wilson Costa diz que o problema vem se agravando nos últimos anos com o crescente número de animais. Ele já procurou o escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Cornélio Procópio, em busca de uma solução, mas não obteve resposta. Na semana passada, ele aproveitou a visita do secretário da Agricultura do Estado, Norberto Ortigara, à 16ª Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial da Região de Cornélio Procópio (Expocop)para falar diretamente com ele sobre o assunto.
Costa diz que não está preocupado apenas com os prejuízos financeiros, mas principalmente com os danos que as capivaras podem causar ao meio ambiente e também à saúde da população.
Um filho do proprietário rural, Rodrigo Costa, acompanhou a reportagem da FOLHA até uma área devastada pelas capivaras e ao rio que nasce na fazenda e abastece a cidade de Santa Mariana.
Ele estima que a plantação de milho tenha sido atacada por cerca de 300 animais, que destruíram entre 8 a 10 alqueires da plantação de milho, onde daria para colher cerca de 3 mil sacas do produto.
As capivaras estão se tornando "freguesas" na propriedade. Há alguns meses, elas destruíram parte das lavouras de soja, o que corresponderia a 1,5 mil sacas somente na propriedade da família Costa.
O agricultor Paulo Costa Pereira, arrendatário de uma área de 20 alqueires, também teve suas lavouras atacadas pelas capivaras, destruindo cerca de 3,5 alqueires da plantação. O maior problema para ele é o desperdício, já que as espigas atacadas pelas capivaras não tem aproveitamento e ficam pelo chão, onde brotam de maneira desordenada.
O secretário da Agricultura da Prefeitura de Cornélio Procópio, Maurílio Soares Gomes, diz que a proliferação das capivaras se deve à falta de predadores naturais e que, por ser um animal silvestre, não poder ser abatido. Segundo ele, além da ausência de predadores, a facilidade em encontrar nascentes, florestas e alimentos, também tornam o ambiente propício para a multiplicação dos animais.
Gomes diz que os danos causados pelas capivaras aos mananciais ainda não comprometem o abastecimento de água das cidades, mas passam a exigir mais cuidados na hora do tratamento, o que torna o serviço mais oneroso. "Se não for tomada uma providência urgente o abastecimento de algumas cidades poderá ser comprometido sim, como é o caso de Santa Mariana", afirma.

Leia também:

- Seab considera assunto "delicado"

- Aspecto legal impede abate

- Nascente atingida abastece Santa Mariana

mockup