Estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) de Jacarezinho apontam significativa diminuição de lavouras de café. Elas foram substituídas por cana-de-açúcar em tradicionais fazendas de Jacarezinho e Cambará. Segundo o Deral, a Fazenda Califórnia reduziu a área de 238 para 103 alqueires. A Fazenda Flora retirou cerca de 39 alqueires e a São Joaquim reduziu em 50 alqueires.

Apesar da diminuição de uma área de quase 200 alqueires em Jacarezinho, a produção de café do Norte Pioneiro não está ameaçada, devido o empenho dos cafeicultores, manejo e adubação. Na maior parte da região a cultura do café teve aumento de produção. Os cafeicultores apostam em uma melhora nos preços praticados pelo mercado internacional para voltar a produzir mais.

Enquanto isto não ocorre, a cultura de cana-de-açúcar vai dominando um espaço antes ocupado por imensos cafezais. Como a cana não exige tratamento especial e sua colheita é garantida pelas usinas, os produtores investem menos na manutenção da lavoura.

Os números não assustam a Seab, mas representam uma preocupação para a classe produtiva. O Norte Pioneiro sempre respondeu por uma safra significativa em todo o Estado, com um café que, além de conceituado, tem excelente qualidade. Até mesmo alguns programas de café adensado foram abandonados pelos cafeicultores, que preferem apostar na cana, como fator de sobrevivência e lucro.

De acordo com dados do Deral, a área em produção neste ano foi de 16 mil alqueires e 12 mil alqueires sofreram com efeitos climáticos, como geadas e falta de chuvas e acabaram não produzindo. A queda alcançou 58% a menos, em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo com a diminuição da área, a produção foi maior do que a verificada no ano passado.

No início deste ano foram colhidas 25 mil toneladas e para esta safra a estimativa é de 26 mil toneladas, com um aumento de 3%. O aumento, segundo fontes da Seab, ocorreu por causa dos investimentos que foram feitos pelos cafeicultores na renovação da lavoura, adubação, incentivos para o café adensado e acompanhamento técnico durante toda a safra.

Para o economista e técnico da Seab, José Antônio Gervásio, mesmo com a queda na produção em fazendas tradicionais da região, o aumento no plantio foi mais significativo em outros municípios, como Ribeirão Claro, Ribeirão do Pinhal e Ibaiti. ''Alguns municípios que não tinham tradição no plantio passaram a adotar o café como lavoura permanente e aderiram ao cultivo. Os resultados têm sido satisfatórios e a produção elevada. Os números são muito otimistas em relação à próxima safra de café, que deverá alcançar produção recorde'', destacou Gervásio.

Conforme o Deral, outras culturas também sofreram redução de área e produção neste ano no Norte Pioneiro, mas também não representam fator de preocupação para os técnicos. Culturas como o arroz sequeiro, que teve sua área reduzida em 9%, milho normal, em 10%, e a batata das águas, que teve 100% de sua área reduzida, são produtos de fácil reposição.

O tomate foi a cultura que mais cresceu na região, com 27% em relação ao mesmo período do ano passado. A mandioca por sua vez, foi a cultura que alcançou o maior nível de produção na região, alcançando um aumento de 55% em relação a janeiro deste ano.

A cana-de-açúcar cresceu 9% no Norte Pioneiro e a produção, que no ano passado foi de 3,83 milhões de toneladas, alcançou neste período 4,2 milhões de toneladas.

A integração de culturas foi o destaque no crescimento da área plantada e da produção deste ano no Norte Pioneiro. Pelo menos é o que defende o chefe do Núcleo Regional da SEAB de Jacarezinho, Fernando Emmanuel Vieira. As ações desenvolvidas pelos programas Paraná 12 meses, Banco da Terra, Vilas Rurais e Café Adensado, segundo Vieira, proporcionaram um incremento significativo no desenvolvendo da agricultura na região.

O aumento da área plantada e da agricultura familiar, não só de grandes lavouras, como soja, trigo, milho, café e cana-de-açúcar, permitiu que os agricultores tivessem lucro razoável, depois de uma safra frustada no ano passado por causa da falta de chuvas e das geadas.

''Por outro lado, a pequena propriedade também encontrou fórmulas de melhorar a produção e colher bons frutos, alternando culturas com produtos hortigranjeiros. A participação da família dos agricultores neste processo também foi decisivo para o sucesso na produção'', destacou Vieira.

mockup