Cambará-Salto Grande, 'falta o pai da criança'
Baixar as tarifas do pedágio e restabelecer a ''Rodovia da Liberdade'' para os tráfego pesado são dois objetivos em Cambará, segundo o vereador Luiz Bertoli (PSL). No primeiro caso, espera-se que a interferência do governador Beto Richa (PSDB) conduza ao entendimento, mas o retorno dos caminhões à rodovia municipal depende da reforma da ponte no rio Paranapanema em frente à barragem da Hidrelétrica de Salto Grande, por enquanto sem definição.
''Ninguém diz quem é o pai da criança'', comenta a arquiteta Adelina Garcia Mihia, do Departamento de Obras do Município de Salto Grande (8.700 habitantes). Refere-se à ponte, motivo de um impasse, ''coisa de oito a dez anos'', desde que foi declarada propriedade do município e não do Estado, mas a Prefeitura não tem nenhum documento de doação. A ponte e a rodovia contornando a represa fazem parte da infraestrutura da usina, desde a primitiva concessionária, a Uselpa, que a transferiu à Cesp e esta, privatizada, ficou com a Duke Energy.
Segundo Adelina, ''a negociação para que o Estado assuma a reforma não tem tido sucesso'' e o município, em princípio, não tem dinheiro para fazê-la. Embora já exista um laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ainda é preciso o projeto executivo, de custos etc., e o Município vem expondo tais necessidades ao DER e à Secretaria dos Transportes'', diz Adelina.
Pela memória de Bertoli, a ponte foi interditada em 2008 ou 2009, porque a cabeceira na margem de Cambará cedeu. Antes, mesmo quando a Prefeitura de Salto Grande estabelecera o pedágio, em 2004, a rodovia não perdeu tráfego, porque as tarifas eram razoáveis, entre o mínimo de R$ 7 para dois eixos e o máximo de R$ 24,50 para sete. Outra vantagem, segundo o empresário Anísio Ugocini: a menor distância até Ourinhos pela rodovia municipal. ''Agora é mais longe e custa R$ 11,30, um absurdo. No estado de São Paulo paga-se R$ 10,00 em 400 quilômetros'', compara.
Com 15 quilômetros entre a BR-369 e a ponte em Salto Grande, a ''Rodovia da Liberdade'' é pouco sinuosa, mas a curva no km 11 é perigosa por causa de desnível, tendo ocorrido ali 15 acidentes em que morreram cinco ou seis pessoas, relata Bertoli, que já solicitou à Prefeitura a colocação de uma proteção (guard-rail). Desprovida de acostamento, a rodovia também apresenta depressões e deterioração em alguns pontos.
Mohamed Ali Hamzé, o prefeito que mandou pavimentá-la, após o terceiro mandato, foi eleito deputado estadual e morreu durante a legislatura. (W.S.)





