Café começa a ser colhido no ''Reforma Cabocla''
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quarta-feira, 30 de maio de 2001
Benedito Teles De Ribeirão Claro 
Quinhentas sacas de café em coco (sem beneficiamento) em cerca de 12 hectares. Esta é a expectativa da Emater/PR para a primeira safra de café do projeto Reforma Agrária Cabocla implantado pela Prefeitura de Ribeirão Claro em 1998. Dez famílias, pioneiras do projeto, serão responsáveis pela colheita de cerca de 100 mil pés de café. Cada família é responsável pelo cultivo de 10 mil plantas em uma área de 1,2 hectare. Os cafeicultores estão mais otimistas e alguns esperam que sejam colhidos quase 70 sacos por lote.
O beneficiário Valdelino Aparecido Fernandes trabalha como volante (trabalhador rural temporário) e comenta que está entusiasmado com o projeto. Em sua casa moram seis pessoas, mas apenas duas trabalham e a renda familiar é de cerca de R$ 600,00.
Para ele, o projeto proporcionou uma segurança para sua família. Quando não temos trabalho na lavoura vamos até o lote para realizar o manejo. Todo o tempo disponível é ocupado com as tarefas do cultivo do café, disse.
Outro beneficiário, Francisco Baldaço, diz que a maior parte do seu sustento provém do projeto. Ele explica que, além de realizar o manejo, planta outras culturas nas áreas que não são utilizadas pelo café. Tenho plantado milho, mandioca e abóboras. Baldaço elogia o projeto e argumenta que a idéia permitiu que ele tivesse uma área disponível para plantar e conseguir o seu sustento.
Conforme o secretário municipal de Agricultura e presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Claro, Marcos Minghinhi Loureiro, o projeto assegura uma reforma agrária ordenada e sem violência no aspecto produtivo. Ele também ressalta a importância social do projeto. Estamos resgatando a cidadania e proporcionando uma alternativa a um segmento marginalizado socialmente.
A engenheira agrônoma da Emater/PR Denise Lutgens Rizzo disse que o objetivo do projeto é oferecer condições para que as famílias selecionadas conduzam a cultura através do aproveitamento da infra-estrutura existente nas propriedades e do fornecimento de insumos pela prefeitura. Ela ressaltou a mudança de mentalidade dos beneficiários como o primeiro reflexo do projeto. Temos trabalhadores rurais temporários que trabalham com associativismo e que obtiveram uma visão gerencial das propriedades.
Denise disse que o projeto beneficia o proprietário rural porque permite o aproveitamento da terra, apesar da atual descapitalização do setor. Áreas ociosas podem ser aproveitadas no cultivo do café e permitir a formação de novos cultivos.
A perspectiva dos agricultores é de que toda a colheita seja encerrada até julho. Foram plantados cerca de 170 mil pés de café, mas sete famílias foram integradas ao projeto em uma segunda etapa e começam a produzir no próximo ano. A área total do projeto é de 33,6 hectares e deve receber até o final do ano mais 10 famílias.
De acordo com o Emater, serão 28 famílias na primeira propriedade rural. Nesta primeira etapa somente um lote apresentou problemas. A prefeitura informou que o beneficiário ficou doente e inviabilizou o trabalho.


