Bom Vizinho: solidariedade e segurança
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Marcos André de Brito <br>Especial para a FOLHA 
Bandeirantes - Um projeto de Segurança Pública Comunitária vem ganhando força e se destacando no Norte Pioneiro. É o ''Bom Vizinho'', criado no início de 2009, motivado pela crescente onda de vandalismo, perturbação, assaltos a mão armada, latrocínio e estupro na região. Clubes de serviços e outras entidades decidiram envolver a população em uma campanha que, nos últimos três anos, já alcança índices satisfatórios diminuindo sensivelmente a violência urbana, principalmente nos bairros e vilas da periferia de Bandeirantes.
O projeto foi uma sugestão do Rotary Clube de Bandeirantes e teve à frente o delegado de Polícia, Rogério Antonio Lopes, que na época respondia pela Delegacia de Bandeirantes. A iniciativa visava principalmente promover a integração entre os moradores, conscientizando que cada um tem a sua parcela de responsabilidade na tarefa de promover a segurança pública. ''O projeto Bom vizinho é um sistema de segurança no qual cada cidadão é peça integrante e atua sem se expor ou correr riscos para melhorar a segurança do seu bairro'', afirma o atual delegado, Alessandro Roberto Luz.
A partir do projeto elaborado pelo delegado Rogério Lopes, o grupo gestor ajustou sua aplicação a realidade de Bandeirantes. O processo de aplicação definiu ainda um modelo de gestão que resultou em diversas providências, entre elas, a confecção de uma cartilha informativa destacando as atribuições da comunidade no combate à violência. O custo total do projeto está orçado em R$ 50 mil. A Vila Santa Maria foi a primeira a receber os integrantes do grupo e todo o material de divulgação. Hoje quatro bairros já contam com o projeto. O apoio financeiro vem do patrocínio de empresas e indústrias da cidade.
O projeto, como explica Alessandro Luz, é baseado em células compostas de quatro moradias. ''Cada vizinho fica responsável em monitorar as casas dos outros três vizinhos, as casas laterais e a da frente, sucessivamente até que todas as residências do bairro estejam protegidas.'' ainda segundo o delegado, a população é orientada para, em caso de suspeita, acionar a polícia imediatamente, pelo telefone l90. ''A ligação é gratuita e a pessoa não precisa se identificar ao fazer a denúncia'', avisa.
O ex-presidente do Rotary e autor da proposta de Segurança Comunitária, Paulo Balla, lembra que a campanha buscou o envolvimento das autoridades competentes. Em 2010, foi convocada uma reunião de emergência com o tema Segurança Pública - Perspectivas e Soluções. ''Convocamos todas as instituições sociais do município, além de lideranças políticas, religiosas, empresariais e líderes de bairros. Para nossa surpresa, mais de 150 pessoas compareceram ao encontro, menos representantes da prefeitura, da Câmara e do Judiciário. A preocupação com o aumento da criminalidade estava claro na manifestação de todos e a campanha foi finalmente definida'', conta Paulo Balla.
Estatísticas
Para justificar o envolvimento do Rotary e outros clubes no projeto, os integrantes do grupo de apoio elaboraram uma pesquisa com todas as estatísticas criminais. ''Os casos de assaltos e roubos a mão armada, latrocínios, perturbação do sossego, vandalismo e estupro em bairros e vilas haviam aumentado consideravelmente naquele ano e a população estava desesperada e pedindo uma solução urgente'', lembra Balla.
Para o Comandante da Policia Militar, Capitão Jéferson Agenor Busnello, o projeto contribui para o trabalho preventivo da PM em Bandeirantes. ''É sem dúvida uma força auxiliar que permite o atendimento mais rápido e eficiente em casos de roubo a residências principalmente. Até agora, o projeto Bom Vizinho tem sido um parceiro importante da Policia Militar e a partir de sua aplicação, houve uma diminuição nesses e em outros casos de violência urbana'', afirma.


