Aumento da frota exige adequação das cidades
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Nos últimos dez anos foi registrado um aumento muito significativo na frota do Norte Pioneiro. As pequenas cidades apresentaram índices maiores do que os municípios médios e grandes. Conforme dados do Detran, Santana do Itararé, por exemplo, tinha 1.055 veículos registrados em 2005 e em 2014 o número passou para 2.278, um aumento de 115%. Em Conselheiro Mairinck a quantidade de veículos passou de 618 para 1.415 no mesmo período, o que significa um aumento percentual de 128%. Para o professor titular de transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eduardo Ratton, a facilidade do crédito, a falta de transporte público intermunicipal e a necessidade de deslocamento para cidades maiores são fatores que provavelmente influenciaram na aquisição de veículos por moradores dos pequenos municípios.
Este pensamento foi confirmado pelo chefe de governo de São Sebastião da Amoreira, Márcio Aurélio da Silva. Ele afirma que apesar da cidade registrar aumento de 110% no número de veículos em dez anos, isso não trouxe problemas ao trânsito da cidade. "Como a cidade é pequena, a maioria das pessoas anda a pé ou de bicicleta por aqui e usa o carro apenas para ir a outras cidades da região", afirma. A prova de que a cidade não apresenta problemas com o trânsito é a questão do estacionamento. "Não sentimos necessidade de implantar aqui o estacionamento rotativo, por exemplo. De modo geral não há falta de vagas", complementa.
Em Nova Santa Bárbara, o chefe de gabinete Emmanuel Morgado também destaca a mesma situação. Apesar do número de veículos registrados pular de 953 em 2005 para 1.998 em 2014, o impacto de 109% de novos veículos na malha viária não foi muito grande e, segundo ele, não faltam vagas estacionamento nas ruas. "Muitas pessoas trabalham em outras cidades e acreditamos que o veículo próprio é usado para este deslocamento", comenta. Conforme ele, o departamento de trânsito da prefeitura foi criado há mais de dez anos e tem como prioridade dar atenção à sinalização das vias, especialmente com a instalação de placas.
Eduardo Rattón destaca que o movimento de aumento na aquisição de veículos não deve continuar nos próximos anos. "A disponibilização de crédito também significa o endividamento, as pessoas precisam agora pagar o carro. Provavelmente esse tipo de demanda vai diminuir, até por isso as montadoras estão reduzindo a produção", explica.
CRUZAMENTOS E ESTACIONAMENTOS
Entretanto, ele destaca que os municípios devem ficar atentos a seus sistemas viários, que devem ser compatíveis e ter qualidade. Na hora de organizar o trânsito em um município ele destaca que o primeiro passo é solucionar problemas de cruzamentos com maior conflito e estudar a demanda por estacionamentos. "As pequenas cidades não apresentam esse problema, mas as médias e grandes sim. É preciso que as pessoas entendam que as vias são para o tráfego, elas foram concebidas para facilitar o trânsito e não para serem usadas como estacionamento", destaca. Conforme o professor da UFPR, para colocar mais áreas de estacionamento nas cidades é preciso ampliar a capacidade viária.
A falta de estacionamentos é uma das dificuldades enfrentada atualmente pelos moradores de Santo Antônio da Platina. O ex-diretor de Trânsito e atual diretor municipal de Fiscalização de Obras e Posturas, Janderson Antônio Figueredo, afirma que um dos desafios da atual administração é relacionado ao tráfego. "Como a cidade é polo comercial, recebemos muitos veículos de outros municípios, estamos viabilizando um estudo para criar o estacionamento rotativo em algumas ruas", afirma.
Outro problema de Santo Antônio da Platina refere-se à educação dos motoristas e motociclistas. No centro da cidade onde as vias não são muito estreitas o fluxo é rápido, mas por outro lado, Figueredo afirma que há muitos acidentes por desatenção. "Há excesso de velocidade nas vias e colisões nos cruzamentos. Por intermédio da Econorte, conseguimos dois semáforos que foram instalados na BR-153, que corta a cidade, mas infelizmente as pessoas não respeitam a sinalização e os acidentes continuam ocorrendo", lamenta.



