Exigir a aplicação dos recursos captados com o Fundo de Conservação Rodoviária (Funcor), criado pelo governo estadual, e colaborar na implantação de um novo modelo de privatização na Rodovia Parigot de Souza (PR-092). Esta é a posição da Associação dos Usuários de Rodovias do Estado do Paraná. Os usuários discordam da proposta apresentada pela Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) ao governador Jaime Lerner (PFL) de inclusão da rodovia no Anel de Integração. A proposta de instalação de uma praça de pedágio na PR-092, para acelerar a recuperação da rodovia, foi apresentada durante reunião da associação em Jaguariaíva.
A associação alega que a proposta da implantação das praças com valores máximos de R$ 2,00 para a tarifa do pedágio não poderia ser assegurado pelas empresas concessionárias. Os usuários também alertam que a incidência do pedágio no custo dos produtos agrícolas pode inviabilizar este setor. De acordo com estudos da associação, os setores primários são os principais afetados pela cobrança de pedágio. O presidente da associação Paulo Ferreira Muniz admite a possibilidade de pedágio, mas com critérios e em uma segunda etapa.
Conforme Muniz, a Amunorpi poderia assumir a rodovia. A proposta da associação prevê a criação de uma agência local, formada pela Amunorpi para gerenciar a privatização através da participação da comunidade. A privatização poderia ser feita pela comunidade com a utilização de recursos e mão-de-obra locais. O processo poderia abranger a discussão da comunidade em relação a definição de obras para serem executadas e sobre os valores máximos a serem cobrados. Segundo Muniz, o Norte Pioneiro precisa dividir as ações para repartir a responsabilidade. ‘‘A privatização pode gerar empregos e riquezas se for implantada através de um novo modelo’’, declarou.
O governo do Estado sinalizou que a proposta de inclusão da rodovia ao Anel de Integração deve mesmo ser adotada. Em visita a Ribeirão Claro, no início da semana, Lerner adiantou que os estudos para privatização estão sendo concluídos, mas admitiu que a sugestão da comunidade deve ser avaliada. ‘‘Em relação à PR-092 a comunidade terá o que pediu’’, disse o governador.
A Secretaria Estadual de Transportes informou que o pedágio poderia ser implantado com a utilização das concessionárias que operam na região com o prolongamento do trecho ou através da criação de um novo lote dentro do Anel de Integração.
A Amunorpi exigiu a recuperação da PR-092 com a inclusão da rodovia ao Anel de Integração e a implantação de pedágio, através da liberação da concessão para empresas privadas, ou o repasse de recursos para a recuperação da rodovia, através de um ‘‘pool’’ de concessionárias das rodovias estaduais, mediante contrapartida das empresas. A Amunorpi comunicou que a proposta prevê as duas alternativas, mas que nas duas propostas as concessionárias seriam beneficiadas porque o aumento do fluxo de veículos na rodovia teria reflexos em todo o Anel de Integração.
Segundo dados da Amunorpi, os veículos dos Estados de São Paulo e Mato Grosso estariam desviando da rodovia no Norte Pioneiro e do Porto de Paranaguá para se deslocar até o Porto de Santos (SP).
O presidente da Amunorpi e prefeito de Japira, Wilson Ronaldo Rony Oliveira Santos (PFL), disse que mais de 90% dos prefeitos apóiam a proposta. Ele alega que a entidade concorda com a proposta de privatização caso sejam determinadas regras antecipadas que autorizem a instalação de somente uma praça de pedágio e a cobrança no valor de, no máximo, R$ 2,00. Ele também ressalta que a cobrança de pedágio é um prejuízo menor do que os contabilizados atualmente com a ocorrência de acidentes, desgaste dos veículos e dificuldade na atração de empresas.
O motorista Júlio Haack, 65 anos, do Rio Grande do Sul, é contra o pedágio. Ele diz que a cobrança prejudica os caminhoneiros e que o governo não faz nada para justificar a implantação do pedágio. ‘‘Ninguém faz nada pelas estradas. Em meus 38 anos de estrada nunca pensei em passar por uma situação deste tipo’’, lamentou.
Já o motorista catarinense Carmel Guizzo, 42, é a favor do pedágio. Para ele, é melhor privatizar do que manter a estrada nas condições atuais. ‘‘Os buracos atrasam as viagens e prejudicam os caminhões’’.

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