A comemoração do Dia Internacional da Mulher, amanhã, concentra celebrações, festividades e homenagens. Mas serve para que reforçar o conceito, inequívoco, de que a valorização real das mulheres ainda não ocorreu. A segregação, o desrespeito e a violência perduram neste início do século 21, embora haja conquistas concretas a serem comemoradas.
Passos importantes foram dados, mas a jornada parece ser longa, até infinita, já que o mundo, nos dias de hoje, comporta sociedades que ainda adotam práticas absurdas como mutilação e, como se pôde ver no Afeganistão, a subordinação absoluta.
Longe dos absurdos, na nossa sociedade a igualdade ainda está longe de ser real. O estudo da reitora da Universidade do Estado do Paraná (Unespar) e professora da Faculdade de Direito do Norte Pioneiro, em Jacarezinho, Sâmia Saad Gallotti Bonavides, atesta que o preconceito ignora as leis e se abriga em cenários familiares e no trabalho. A violência sutil, agravada pela omissão, proporciona injustiças na seleção e na remuneração das mulheres.
Em seu estudo, a reitora revela que a igualdade, embora garantida por lei, acaba sendo ‘pro forma’. A sua precária manifestação em nosso cotidiano ocorre, justamente, porque estamos em uma sociedade que norteia a sua preocupação com as mulheres por meio de leis e decretos.
O respeito às mulheres não deve estar condicionado a normas, mas sim estar inserido nos valores internos de cada um. A igualdade legal, conforme ressalta a reitora, precisa ser traduzida també por meio da educação e conscientização, em um processo contínuo de formação de cidadania.
O tema mulher, recorrente em canções, leis e poesias, precisa ser debatido cotidianamente para se impor de maneira gradativa e definitiva. As leis postas no ordenamento jurídico, por enquanto, servem como vetor e garantia, mas ainda não apresentam reflexos na educação e no processo de conscientização. A sua limitada abrangência serve, apenas, para nos lembrar que a sociedade ainda não cofere a devida reverência e respeito à mulher.

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