Artes marciais tiram crianças e adolescentes das ruas


Luiz Guilherme Bannwartespecial para a FOLHA
Luiz Guilherme Bannwartespecial para a FOLHA
Em um barracão cedido pela Prefeitura, os alunos têm aulas de jiu-jitsu e MMA no contraturno escolar
Em um barracão cedido pela Prefeitura, os alunos têm aulas de jiu-jitsu e MMA no contraturno escolar | Luiz Guilherme Bannwart/ Divulgação





A falta de iniciativas públicas para evitar o contato de crianças e adolescentes com a criminalidade motivou um soldado do 2º Batalhão de Polícia Militar de Jacarezinho a desenvolver um projeto para ensinar artes marciais a moradores de uma comunidade carente de Santo Antônio da Platina. Gilmar José Elias do Prado é faixa preta em jiu-jitsu, porém, mais do que instruir os alunos sobre técnicas de defesa pessoal, seu objetivo é formar cidadãos através do Projeto Lutando para o Bem.

O soldado Prado, como é conhecido na cidade e na corporação, trabalha no Serviço de Inteligência da 4ª Companhia de Polícia Militar, e a maioria das ocorrências que atende tem algum tipo de relação direta com o tráfico de drogas, que segundo ele é a porta de entrada para a criminalidade. "Os traficantes de droga viciam crianças e adolescentes e depois os usam para vender drogas. Muitos deles passam a furtar, roubar e até matar para acertar suas contas com os 'patrões'. Ao contrário do que muitos imaginam, a cadeia não recupera ninguém, mas projetos como o Lutando para o Bem podem contribuir muito para que tenhamos jovens mais preparados para enfrentar esse mundo cada dia mais promíscuo", pondera o policial.

O Projeto Lutando para o Bem começou há dois anos no Conjunto Habitacional Aparecidinho 2, na periferia da cidade. Em um barracão cedido pela prefeitura, o professor Gilmar do Prado começou a ensinar técnicas de jiu-jitsu a um grupo pequeno de alunos, que logo passou também a aprender MMA com os instrutores Anderson dos Anjos e Rafael de Jesus. "Assim que souberam do projeto, o Anderson e o Rafael se propuseram a colaborar e passaram a integrar o time de instrutores, que também conta com a minha mulher e meu filho de 14 anos. Hoje temos 40 alunos", explica o professor Prado.

MUDANÇAS
As aulas acontecem de segunda-feira a sábado em horários específicos, mas a proposta do soldado Prado é expandir o projeto no município. "A ideia é ensinar artes marciais nos bairros como contraturno escolar. Desta forma, crianças e adolescentes menos favorecidos estariam praticando esporte com instruções de defesa pessoal e cidadania ao invés de se tornarem presos vulneráveis a traficantes de droga num caminho quase sempre irreversível. Com a colaboração do poder público é possível fazer muita coisa a essas comunidades carentes, e os resultados podem promover grandes mudanças nas vidas dessas pessoas", assegura o policial.

No Projeto Lutando para o Bem, os alunos ganham quimonos e as despesas com alimentação e viagens para participarem de competições são financiadas por empresários e pelo próprio soldado Prado. No dia 5 de agosto, os alunos participaram da 1ª Copa Ourinhense de Jiu-Jitsu, em Ourinhos (SP), onde conquistaram medalhas e troféus.

ABRAÇADO
O secretario Municipal de Esporte, Cultura e Lazer, Marcos Gilmar do Amaral, disse que a prefeitura incentiva o Projeto Lutando para o Bem, e que a proposta para expandi-lo será discutida. "Trata-se de um projeto muito importante para a formação de cidadãos, que deve ser abraçado por toda a sociedade", salienta Amaral.

O delegado Tristão Antônio Borborema de Carvalho, que comandou a 38ª Delegacia Regional de Polícia por mais de cinco anos, destacou a importância de iniciativas como as do soldado Gilmar do Prado. "É preciso mais investimentos no setor de segurança pública para combater a criminalidade, mas principalmente em políticas públicas voltadas à população mais carente para que esses problemas sociais não se tornem um problema policial."

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