Wenceslau Braz - Utilizar-se das paredes como espaço para expressar a arte é uma prática que caminha com o homem desde o ínicio das civilizações. As pinturas rupestres são o maior exemplo. Com o passar dos tempos, novas técnicas e estilos de trabalho foram aparecendo e ganhndo destaque no mundo das artes. Aqui no Norte Pioneiro, mais precisamente em Wenceslau Braz, há mais de 10 anos, o artista Antônio Marcos Miguel vem encantando pessoas com os seus trabalhos, produzidos com as técnicas da escultura.
Ricas em detalhes, as esculturas têm um jeito peculiar de produção, têm a areia e o cimento como matéria prima. Pedreiro de profissão, Miguel revela que o talento surgiu em um dia comum de serviço. ''Estava construindo, desci do andaime e desenhei uma mulher. Nunca fiz curso específico, uso pá de pedreiro, areia e cimento e depois uma faca para fazer os detalhes de olhos e nariz'', explica.
''Como sempre faço, cheguei na cidade e escolhi um muro e sem cobrar nada fiz minha primeira obra. O trabalho chama a atenção, sempre foi assim, tanto que depois a prefeitura me convidou para fazer a fachada da Biblioteca Municipal'', esclarece.
A biblioteca leva o nome de Professora Maria Baiana e foi inaugurada em novembro de 2010. Na parede da porta de entrada, a cachoeira do Salto dos Silvérios, marco turístico do município, é representada pelo artista junto ao rosto de Wenceslau Braz, e a uma Maria fumaça que remete à linha férrea fundamental para o desenvolvimento local.
O trabalho que cobre toda a parede, traz ainda os povos que ajudaram a formar a comunidade brazense e os principais produtos que movimentaram a economia do município. Apesar do tamanho e da perfeição presente na obra, ele garante ter feito tudo em apenas um mês.
Outra curiosidade sobre as produções do escultor é que ele gosta de trabalhar na rua, com o maior número de pessoas possível observando-o. Mas engana-se quem pensa em classificar a atitutde como exibicionismo. ''Eu preciso das pessoas me olhando, conversando comigo, é essa energia que me move. Pelo material utilizado essas obras durarão para sempre e eu não tenho o costume de assiná-las, quero que todos vejam apenas como arte'', enfatiza.
Natural de Lorena, interior paulista, o escultor conta que ''adotou'' o Norte Pioneiro e toda sua família reside atualmente em Jacarezinho, no entanto, ele vai para onde o trabalho mandar. ''Em média fico de um há dois anos nas cidades ou enquanto houver o que fazer'', afirma.
Em Wenceslau, Miguel deve ficar ainda por um longo período. Depois da obra na parede da biblioteca, ele está contando a história de vida de Jesus Cristo nos muros do Colégio São Thomaz de Aquino. Serão 35 quadros e a entrega está prevista para dezembro. ''As pessoas precisam entender que eu só copio se for mandado. No mais os desenhos são todos inspirações minhas e daqui alguns anos quando passarem aqui terão a visão que tenho de como era Jesus Cristo e os demais personagens bíblicos esculpidos'', explica.
Quando concluir seus trabalhos em Wenceslau, o escultor comenta que ainda não tem um destino definido, mas espera levar sua arte para o maior número de pessoas possíveis. ''Tudo na vida tem hora. Digo que meu trabalho até cego vê, por causa do relevo e pretendo continuar esculpindo por um longo tempo'', finaliza.

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