'Arborização urbana é fundamental para a qualidade de vida'
Ribeirão Claro - Aposentada há 15 anos como professora doutora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), a geógrafa Ana Maria Marangoni, 72 anos, natural de Itararé (SP), não se intimida com os anos de vida e é uma entusiasta quando o assunto é buscar soluções para melhorar a qualidade por meio do respeito ao meio ambiente. Já na década de 1980 ela fez parte de grupo na Unesp, em Presidente Prudente (SP), para discussão, desenvolvimento e prática de metodologias e ações para planejamento municipal em municípios de pequeno porte populacional. Nos anos 90, ela participou de alguns eventos que reuniam os então chamados Municípios Nascentes do Estado de São Paulo, e voltados para questões relativas à administração e planejamento dos municípios criados no início dessa década. E, eventualmente, tem participado de reuniões em cidades de pequeno porte, como Torrinha, Bom Sucesso de Itararé e Ribeirão Claro.
E acostumada a circular por cidades de pequeno e médio portes, ela é enfática: "A arborização urbana pode constituir-se em fator decisivo para a melhoria de padrão de vida para as populações urbanas, seja pela amenização de altas temperaturas, pela oferta de áreas sombreadas, seja pelo impedimento a processos erosivos e enxurradas e à rápida absorção das águas de chuva pelo solo, seja ainda pelo aspecto estético e pelo abrigo a pássaros e outros pequenos animais", argumenta. Mas ela também alerta: "Nem sempre o plantio de árvores é o bastante. Há que se pensar, na verdade, no povoamento e repovoamento vegetal em geral, com o plantio de espécimes de pequeno porte (como moitas, por exemplo), de espécies herbáceas, de gramados diversos. E não se pode esquecer a beleza propiciada pelas flores dos mais diferentes tamanhos, formatos e cores".
Pela primeira vez em Ribeirão Claro, em fevereiro, para proferir palestra, ela afirmou por entrevista, por e-mail, que verificou diversos aspectos positivos no local: "Fiquei muito bem impressionada, por diversas razões, entre elas a limpeza das ruas e praças, a civilidade dos habitantes, e presença do verde, seja nas mesmas ruas e praça, seja em jardins e quintais das residências. Quanto à arborização pública, especificamente, numa volta por diversas ruas e avenidas, foi possível observar muitos aspectos positivos, e alguns pontos que exigem maior atenção. Fora do núcleo urbano central, em área de ocupação urbana recente, a arborização pública ainda não se faz visualmente presente, embora sua execução esteja entre as intenções do Poder Público Municipal", avalia.
Sobre a situação do Brasil na área de conscientização ambiental, em comparação com o cenário internacional, a pesquisadora pondera que embora a temática ambiental tenha ocupado cada vez mais espaço nas expressões de preocupações atuais, faltam iniciativas no sentido de tomada de direções efetivas para a solução de problemas fartamente apontados. "Essas iniciativas dizem respeito tanto à formação de profissionais técnicos competentes, como à informação objetiva à população e às autoridades públicas, à criação de incentivos a ações necessárias, à atribuição de responsabilidade aos diversos segmentos da sociedade, à divulgação da legislação existente, ao combate à impunidade dos atos lesivos ao interesse público, entre outros fatores", afirma Ana Maria Marangoni. (A.P.N.)





