Uma cidade não se faz existir só pelo que ela tem de palpável, de concreto. Evidente que essas coisas são necessárias, importantíssimas. Edifícios, casas, fábricas, comércio, fazendas e também belezas naturais. Temos muitas delas. Entretanto, nada é tão importante, tão primordial quanto o ser humano, esse receptáculo maravilhoso de contradições. Esse ser que cria, mas também destrói e muitas vezes destruindo, continua criando.
Existiria Santo Antônio da Platina sem aqueles primeiros que aqui chegaram, que tomaram gosto, desbravaram e disseram: ''Aqui é o nosso lugar'', e puseram mãos à obra e deram suas vidas por esse lugar? Nada do que somos hoje existiria sem os primeiros. Portanto, nós, os de hoje, temos por alicerce aqueles valentes e idealistas e por nossa vez, seremos também alicerce para os que estão por vir. A vontade suprema de ser, de fazer, de existir, de criar, pois sem criar, sem uma obra, o ser humano nada é além de uma sombra, um arremedo daquele feito à imagem e semelhança de Deus. E graças ao denodo de nossa gente, somos hoje essa terra maravilhosa. Somos orgulhosos, tanto os platinenses aqui nascidos, como aqueles que se tornaram platinenses por opção. Somos orgulhosos em dizer que muitos ajudaram e ajudam na grande obra. Pouco importa as desavenças, pois sem elas não seríamos humanos. O bem maior sobrepuja e paira acima, pois no fim, todos lutamos por uma só causa e essa causa se chama Santo Antônio da Platina.
É importante que tenhamos saudades, mas que não sejamos saudosistas doentios, achando sempre que o passado era melhor e o futuro nada oferece além de sustos e indignação. Longe disso, o povo de Santo Antônio da Platina, sabe na sua quase totalidade que é preciso se adaptar ao futuro e melhor ainda: fazer o futuro. Temos potencial para isso, basta que se administre objetivando o bem comum, caso contrário nos transformaremos num bando de egoístas amedrontados, completamente ilhados por uma multidão de famintos e desesperados de cujas hostes surgirão bandidos. Só que o platinense é bom, é lutador e terá o discernimento para manter seu rumo para o bem comum, e a nossa terra será sempre o ''nosso lugar''.
RENATO TADEU CHAGAS é escritor e professor de Educação Física em Santo Antônio da Platina

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