Após prisão do estuprador, criança está mais feliz
Para combater casos de violência sexual os policiais enfrentam uma série de dificuldades, segundo a delegada adjunta do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima de Crimes (Nucria-PR), Maricy Mortagua Santinelli.
De acordo com a delegada, o primeiro problema diz respeito à proximidade que o criminoso tem da família da vítima. A delegada reforça a ideia que os padrastos são responsáveis pela maior parte dos casos e quase sempre agem com a conivência da mãe. ''A mãe ser conivente é crime e ela deve responder junto ao criminoso'', destaca.
Não bastasse a dificuldade em identificar o agressor, Maricy aponta outro atentado grave contra a lei. Baseando-se em dados de Curitiba, ela diz que em média 700 denúncias de abuso são feitas por ano, das quais entre 85 e 90% não são reais. ''A mãe quer se separar do marido ou a adolescente quer se livrar do autoritarismo do padrasto e inventa o caso de estupro. A polícia perde tempo investigando um caso falso enquanto quem realmente precisa tem que esperar'', queixa-se. ''O denunciante precisa ter a consciência que o tempo e o dinheiro investido estão todos ligados ao dinheiro do contribuinte, ou seja, é o dinheiro dele que está sendo jogado fora, sem contar que isso também consiste em crime'', completa. Denúncias caluniosas podem gerar de 2 a 8 anos de prisão.
Apesar do cenário pouco positivo, a delegada percebe que a busca pela ajuda da polícia tem aumentado, e ela diz acreditar no resultado da ação dos policiais. ''Tive um caso em que a criança que foi vítima se mostrava triste e insegura. Depois que conseguimos prender o estuprador a vida dessa criança mudou, ela está mais feliz e confiante'', revela.
O crime de estupro a vulnerável pode render ao agressor de oito a 15 anos de detenção por crime cometido. ''Imaginamos que a maioria dos casos não seja sequer denunciada, mas esperamos que os familiares não tenham medo e façam as denúncias'', afirma. (V.F.)
Seviço: Alguns números para denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes são: 100, 156, 190 ou 197. Todas as denúncias podem ser anônimas e são tratadas com sigilo.





