Apoio a vítimas é pouco estruturado na região
Cornélio Procópio - Em toda a região Norte Pioneiro inexistem centros especializados ou organizações filantrópicas que se dediquem exclusivamente a atender mulheres que sofrem violência. Não há casas de recolhimento às vítimas que são perseguidas, ou mesmo delegacias especializadas na mulher. As cidades mais próximas com esse tipo de atendimento são Londrina e Maringá. O atendimento nas cidades da região é feito pelos Centros de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), órgãos municipais que atendem mulheres em situação vulnerável, idosos, crianças e população de rua.
Em Cornélio Procópio, as vítimas de violência são recebidas no Creas por psicólogas e assistentes sociais. "Elas vêm indicadas por profissionais dos postos de saúde, policiais, ou por livre vontade. Nós as acompanhamos até a delegacia, damos apoio psicológico e auxiliamos, quando necessário, na inserção dessa mulher no mercado de trabalho, oferecendo cursos de capacitação", afirma a secretária municipal de Promoção Social de Cornélio Procópio, Lúcia Cardoso Alves.
O perfil das vítimas é quase sempre bem parecido. "Recebemos mais vítimas de classes baixas. Geralmente elas dependem dos maridos financeiramente para sustentar os filhos, possuem pouca instrução, e acabam se sujeitando a esse quadro por medo ou necessidade. Quase sempre a violência possui outros problemas agregados na família, como alcoolismo e dependência química", afirma o delegado da 11ª SDP de Cornélio Procópio, João Manoel Garcial Alonso Filho.
Em toda a região não há uma Delegacia da Mulher, no entanto, entre as medidas que a Polícia Civil de Cornélio Procópio tomou para melhorar o atendimento foi instituir uma escrivã para ouvir os depoimentos. "A mulher chega bastante sensível na delegacia. Ser ouvida por outra mulher permite que ela fale com menos receio".
PROJETO
em busca de solução, a presidente da Câmara de Cornélio Procópio, Angélica Olchaneski (PSDB) apresentou ontem um projeto lei que institui o Programa Apoio às Mulheres Vítimas de Violência. "Hoje vemos que muitas não são socorridas na cidade por desconhecerem que existe auxílio. Há uma dificuldade de comunicação entre os órgãos que recebem as vítimas. Por meio deste projeto queremos promover mais campanhas e também a integração entre os aparelhos, desde os médicos da rede pública, os agentes comunitários das Unidades de Saúde, até as escolas, delegacias, para que todos sejam capacitados a identificar e encaminhar essas vítimas ao Creas, onde essas mulheres terão o apoio necessário para sua recuperação". O projeto entra em votação na próxima terça-feira. (R.P.)
Serviço:
Vítimas de violência doméstica podem procurar apoio nas secretarias de Assistência Social de seus municípios. Em Cornélio Procópio o atendimento é feito no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), que fica na Avenida Paraná, nº 60, próximo à Casa do Artesão. Telefone (43) 3905-1139. (R.P.)





