Apesar do potencial, PIB do Norte Pioneiro engatinha
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Michelle Aligleri <br>Reportagem Local 
Cornélio Procópio - De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE), as 46 cidades do Norte Pioneiro apresentaram redução de 2,6% na contribuição com o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado nos últimos dez anos. O PIB da região alcançou R$ 8,4 bilhões, representando apenas 3,3% do montante total do Paraná no ano de 2012, que chegou a R$ 255,9 bilhões.
O maior PIB do Norte Pioneiro no ano de 2012, pertence a Cornélio Procópio. O município alcançou mais de R$ 891 milhões. No ano de 2002 as cidades que apresentavam os cinco maiores PIBs na região foram Cornélio Procópio, Arapoti, Jaguariaíva, Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, nesta ordem. No fechamento do estudo, com análise de 2012, as mesmas cidades se mantiveram com os maiores PIBs, no entanto, houve mudança na ordem. Cornélio Procópio continuou em primeiro lugar, mas em segundo veio Jacarezinho, seguido por Arapoti, Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva (veja info nesta página). Das cinco cidades com os maiores PIBs no Norte Pioneiro, apenas Arapoti não está entre as cinco principais cidades da região. O município de Bandeirantes, no entanto, um dos cinco maiores, não aparece na lista dos PIBs mais importantes.
De acordo com o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, o crescimento do setor agropecuário e especialmente da silvicultura e da avicultura impulsionaram várias cidades da região, além disso indústrias e usinas de cana-de-açúcar se estabeleceram em alguns municípios.
O desenvolvimento do cultivo de florestas e de aves na região, entre os anos de 2002 e 2012, é comprovado pelos números levantados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). De acordo com os dados, a produção em reais da avicultura na regional de Cornélio Procópio era de R$ 14 milhões em 2002. Já em 2012 o volume ultrapassou os R$ 54 milhões. Na regional de Jacarezinho o aumento também foi registrado. Enquanto em 2002 a produção em reais era de R$ 117 milhões, no ano de 2012 o valor chegou a R$ 592 milhões. No Paraná, o volume em reais da atividade foi de R$ 2,1 bilhões em 2002, e R$ 9,1 bilhões em 2012.
Quanto a silvicultura os números também indicam evolução, mas Jacarezinho sai na frente. Segundo a regional do Deral de Jacarezinho, em 2002 o valor bruto da produção (VBP) do cultivo de pinus e eucalipto resultou em R$ 55,3 milhões. Dez anos depois, o VBP fechou em R$ 216,1 milhões. Já em Cornélio Procópio, em 2002 a produção de florestas em reais era de R$ 5,6 milhões. Em 2012 a atividade registrou VBP de R$ 11,7 milhões. Os valores do Estado, segundo o Deral, foram de R$ 1,5 bilhão em 2002 e R$ 3,5 bilhões em 2012.
Conforme informações repassadas pela equipe do Deral, em Jacarezinho, a área de plantio de eucalipto, em 2013, chegou a 34.540 hectares (ha). Já a área de pinus foi de 2.533 ha. Na regional de Cornélio, a área de eucalipto foi de 20.297 ha e a de pinus foi de 2.260 ha. No Estado, o eucalipto ocupa 646.518 hectares e o pinus 910.581 ha.
Apesar destes fatores o PIB alcançado pelo Norte Pioneiro não foi significativo se comparado ao PIB do Estado. "Devemos levar em conta que há oportunidades aparecendo para a região. O Norte Pioneiro é uma região antiga onde existem muitas potencialidades mas para colher estes resultados é necessário um certo tempo", explica Francisco José Gouveia de Castro, do Ipardes. Ele afirma que com o desenvolvimento da silvicultura, logo devem chegar ao Norte Pioneiro as indústrias ligadas ao setor. "A proximidade com o estado de São Paulo e com a região metropolitana de Curitiba é favorável ao Norte Pioneiro", complementa.
O economista do Ipardes afirma que, de modo geral, o PIB dos municípios não se altera de um ano para o outro porque é necessária uma mudança estrutural na produção e no número de estabelecimentos para se notar uma diferença neste indicador. "Municípios pequenos podem ter estruturas industriais muito fortes, aqueles que contam com cooperativas, por exemplo, tendem a ter um PIB alto", explica. Castro afirma que algumas cidades se destacam no setor da indústria, outras tem maior ênfase nos serviços ou na agricultura e que investimentos em qualquer uma destas áreas interferem no PIB.
As cidades de Conselheiro Mairink, Jaboti e Nova Santa Bárbara se mantiveram na lista dos cinco menores PIBs do Norte Pioneiro nos anos de 2002 e 2012. Os municípios de Jundiaí do Sul e Santa Amélia, apareciam na relação no ano de 2002, mas melhoraram seus índices e no ano de 2012 as duas posições foram ocupadas por Nova América da Colina e Santo Antônio do Paraíso.


