Antes que vire caos, é hora de pensar no trânsito
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terça-feira, 20 de março de 2012
Wilhan Santin <BR>Especial para a FOLHA 
Em um ano, Cornélio Procópio passou a ter 1.171 veículos a mais circulando em suas ruas. De acordo com dados do Detran do Paraná, em fevereiro de 2011 eram 24.997 automóveis emplacados na cidade. Em fevereiro deste ano o cadastro do órgão regulador do trânsito no Estado mostra que já são 26.168 - crescimento de 4,5% -, entre carros de passeio (14.003), motocicletas (7.282), caminhões, tratores e outros automotores emplacados no município. Os dados apontam que há um habitante para cada 0,55 veículo em Cornélio Procópio e põe a cidade na liderança do ranking de ''habitantes motorizados'' do Norte Pioneiro.
Para efeito de comparação, Londrina tem, para cada habitante, 0,60 automóvel.
Fazendo uma média de todos os 46 municípios da região, chega-se ao número de 0,42 automóvel por habitante. Índice que cresce em várias cidades do Norte Pioneiro, enquanto as políticas municipais só agora começam a tomar forma.
Cornélio Procópio, que já mostra tráfego com certo congestionamento nos horários de pico, ainda não tem um departamento municipal para cuidar do trânsito, na contramão do que determina o Código de Trânsito Brasileiro, de 1997, o qual atribui competências como fiscalização, planejamento e sinalização aos municípios. No cadastro oficial do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), nenhum município do Norte Pioneiro aparece na lista de cidades com trânsito municipalizado.
O chefe da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) em Cornélio Procópio, Luiz Alberto Dib Canônico, admite que o trânsito ''precisa de uma reformulação total na cidade''. ''Aos finais de semana, por ser uma cidade-polo e atrair pessoas de outros municípios, fica quase impossível circular de carro pela região central'', destaca. Atualmente não há plano viário e até o Conselho Municipal de Trânsito não está atuando, segundo Canônico. Mas ele comenta que a municipalização está sendo implantada e vai facilitar a vida do motorista procopense. ''Hoje quem é multado na cidade tem que recorrer em Curitiba, pois não há Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) no município. Com a prefeitura assumindo, teremos nossa Jari'', comenta.
A chefe do departamento de recursos humanos da prefeitura, Marisa Triano, informou, por meio da assessoria de imprensa, que foi realizado concurso público em dezembro de 2011 para a contratação de servidores para a instalação do departamento de trânsito. Porém, a assessoria não soube informar quando nem quantos profissionais serão contratados. Também não há previsão sobre o início das atividades do departamento municipal de trânsito.
A fiscalização e o trabalho preventivo ficam, por enquanto, a cargo somente do Pelotão de Trânsito do 18 Batalhão de Polícia Militar. De acordo com o tenente Marcos Daner de Andrade, comandante do pelotão, o tráfego se intensificou na cidade principalmente depois de 2007, com o aumento da oferta de cursos superiores em Cornélio Procópio. Ele diz que, em média, são registrados três acidentes por dia na cidade, a grande maioria envolvendo motocicletas.
''Há muitos jovens, na faixa etária entre 18 e 30 anos, que cometem imprudências e se envolvem em acidentes. Em setembro do ano passado iniciamos uma campanha de conscientização e educação, com isso o número de acidentes teve redução de 35%'', detalha o tenente, provando que investir em educação é vantajoso.
No entanto, vários usuários das vias da cidade entrevistados pela FOLHA mostram-se ansiosos por mais organização no trânsito. ''Tem muita gente usando carro. O pessoal tira o veículo da garagem até para andar somente algumas quadras. Com isso, quem anda a pé, como eu, fica perdido no meio da confusão de motores e buzinas. Por isso é preciso mais disciplina e planejamento viário para que tudo ande melhor. E olha que aqui ainda temos o trem, mais um barulhento e 'buzinador, que corta a cidade'', reclama, com bom humor, o aposentado Irineu Vanzolini.



