Angra Doce, uma estratégia para o turismo regional
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Carlópolis - A exuberância das belezas naturais de 15 municípios banhados pelo reservatório da Usina Hidrelétrica de Chavantes, na divisa entre Paraná e São Paulo, localizada no Rio Paranapanema, motivou o deputado federal Capitão Augusto (PR-SP), que é natural de Ourinhos, a elaborar o projeto de lei 3.031/2015 que institui a região como Área Especial de Interesse Turístico, tendo como objetivo fomentar o turismo regional e melhorar a captação de recursos. Batizada de "Angra Doce" - em alusão à Angra dos Reis, no Rio de Janeiro - a região do projeto contempla os municípios de Ribeirão Claro, Carlópolis, Siqueira Campos, Jacarezinho e Salto do Itararé, no Paraná; e Chavantes, Ourinhos, Canitar, Ipaussu, Timburi, Piraju, Fartura, Bernardino de Campos, Itaporanga e Barão de Antonina, no Estado de São Paulo. Com parecer já favorável da Comissão de Turismo da Câmara Federal, o projeto de lei ainda precisa passar pelas Comissões de Constituição e Justiça e Cidadania antes de ser encaminhado para votação no Senado, o que deve acontecer até o final do ano, segundo informações da assessoria de imprensa do deputado federal.
De acordo com o assessor parlamentar Milton Roberto Dudas, a intenção do projeto é transformar a região em um polo turístico nacional, favorecendo o desenvolvimento econômico dos setores relacionados e, principalmente, o ecoturismo da região. "Com o reconhecimento oficial da área como interesse turístico, tanto investimentos privados quanto públicos poderão ser regularmente destinados à infraestrutura de suporte para a recepção de novos contingentes turísticos", afirma Dudas, em entrevista por e-mail. Há dois meses estão sendo realizadas reuniões para a divulgação do projeto e organização de grupos de trabalho, que atualmente estão se dedicando à catalogação dos pontos turísticos, das necessidades de infraestrutura de cada município e das áreas de mananciais que porventura precisem ser preservadas por meio de leis federais, estaduais e municipais.
Empresário do setor de turismo e lazer de Carlópolis, Hiroshi Kubo integra um dos grupos de trabalho está animado com o projeto. "Era um desejo antigo conseguirmos aproveitar melhor o potencial turístico da região e, devido ao projeto Angra Doce, estamos conseguindo unir forças para o benefício de todos os municípios envolvidos", afirma, em entrevista, durante visita à Redação da FOLHA, na semana passada. "As pessoas tendem a ter uma ideia negativa quando se fala em represa, associando com água parada, turva, sem saber que a nossa região é destaque por suas águas claras e de qualidade que favorecem aos esportes náuticos e à pesca esportiva", acrescenta.
O diretor do Departamento de Meio Ambiente João Paulo Salles, de Carlópolis, ressalta que um dos principais focos do trabalho dentro do projeto é a regulamentação da pesca na região. "A Colônia de Pescadores de Carlópolis representa mais de 300 pescadores de Carlópolis, Ribeirão Claro, Siqueira Campos e Salto do Itararé. A pesca predatória afeta todo o ecossistema da represa e estamos também fazendo um estudo aprofundado sobre alternativas de trabalho, como a criação de peixes em tanques-rede", informa Salles. Ele também vê com otimismo a possibilidade do projeto favorecer à obtenção de recursos para a preservação dos rios que ficam nas margens da represa.
Com 24 pontos turísticos já catalogados, envolvendo as áreas de hotelaria, gastronomia e atrativos naturais, Ribeirão Claro é um dos municípios da região mais estruturados no setor de turismo. De acordo com o assessor de imprensa da Prefeitura, Diógenes Gonçalves, um dos principais pontos favoráveis do projeto é dar destaque nacional ao turismo regional. "Já temos uma boa visibilidade no interior de São Paulo, inclusive devido a alguns empreendimentos milionários, e com o projeto será possível expandir para outras localidades. Poderemos estar no mapa do turismo brasileiro", comenta. Gonçalves também citou o trabalho que está sendo feito voltado ao repovoamento da represa, tendo à frente o vereador Osmar Baggio. "A Duke Energy, responsável pela usina hidrelétrica, prevê o repovoamento de 125 mil peixes, como contrapartida pelo impacto ambiental, mas estima-se que seja necessário o repovoamento de R$ 3 milhões de peixes ao ano", observa.
O chefe do Departamento de Turismo, Marketing, Promoções e Negócios, Felipe Mehlich, de Siqueira Campos, vê com bons olhos o projeto e cita o Balneário da Alemoa, voltado para o turismo aquático e prática esportiva, como um dos principais pontos turísticos da cidade e que demanda mais investimentos na infraestrutura, como a pavimentação das estradas rurais e ampliação de banheiros, quiosques e áreas de camping. "Temos também uma importante festividade religiosa, que é a Festa do Bom Jesus da Cana Verde, que chega a reunir 200 mil pessoas em agosto", lembra. A prefeitura também está estudando uma parceria com o Sebrae para melhorar o atendimento dos comerciantes aos turistas. "Há quatro anos o turismo ganhou destaque na nossa cidade e estamos abraçando o projeto Angra Doce com boas expectativas", conclui.


