Ambientalistas sofrem ameaças
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quarta-feira, 02 de maio de 2001
Mireilli Baroni De Santo Antônio da Platina Especial para a Folha 
Os integrantes da Associação dos Pescadores Conscientes (APC), de Santo Antônio da Platina, vêm recebendo ameaças quanto a integridade física, desde o início da fundação da APC, há cerca de quatro anos. O motivo dessas ameaças, segundo o tesoureiro da associação, Roberto Reinutti, é o trabalho de fiscalização que a APC faz no Rio das Cinzas para combater a pesca e a caça predatórias.
Reinutti disse já ter recebido mais de 20 telefonemas anônimos com ameaças quanto sua integridade e, por várias vezes durante as fiscalizações encontraram pescadores armados nas margens do rio, também ameaçando os integrantes da APC. Em certa ocasião, em que estávamos descendo o rio com policiais florestais, encontramos pessoas armadas que me ameaçaram. Esse grupo foi intimado a comparecer na delegacia por desacato à autoridade e ameaças, lembrou.
Outro caso ocorreu quando Reinutti ficou sabendo que haveria alguém esperando por ele no Rio das Cinzas. Esta pessoa estaria armada e a polícia foi avisada, evitando maiores danos. Nós vivemos sob pressão, justamente por trabalharmos na preservação do meio ambiente, lamentou.
Policiais florestais de Telêmaco Borba e Londrina estão auxiliando os associados da APC na fiscalização do Rio das Cinzas, com o objetivo de coibir a utilização de redes e tarrafas. Para fiscalizar o meio ambiente, a associação recebe doações da comunidade comunidade e também apoio da Prefeitura de Santo Antônio da Platina.
Segundo Reinutti, em apenas uma ação da APC, em novembro do ano passado, foram apreendidas 10 tarrafas e mil metros de redes. De acordo com o tesoureiro da APC, esta é a média apreendida em cada fiscalização, além de armas de fogo, gaiolas e armadilhas. As fiscalizações eram feitas duas vezes por mês até o final do ano passado, mas a situação financeira da associação não é das melhores. A prefeitura não está podendo nos ajudar muito e as doações que recebemos da comunidade não são suficientes para financiarmos a vinda da polícia florestal. Mas sempre que podemos, estamos agindo, afirmou Reinutti.


