Alternativa vira sinônimo de prosperidade
Quatiguá - Na pequena propriedade agrícola da família Bonoto, de Quatiguá, o capim-napier virou sinônimo de prosperidade. Preservando na íntegra o padrão de agricultura familiar, a propriedade de 5,5 alqueires possui atualmente 60 cabeças de gado leiteiro (holandesa e jersolanda) alimentado com capim-napier, em sistema de semiconfinamento, com uma produção média diária de 21 litros/por cabeça. Com mais de 600 litros diários de leite de alta qualidade, eles vendem atualmente toda a produção para um laticínio da cidade. "Hoje estamos praticando o preço de R$ 0,99/litro, mas já chegamos a vender por R$ 1,13/litro. O preço varia conforme a demanda do mercado, mas, de modo geral, não posso reclamar", comemora o agropecuarista Matheus Pimentel Bonoto, de 32 anos, que há seis vem se dedicando aos negócios da família.
Segundo ele, tão acertada quanto a decisão de abandonar o emprego na área comercial de uma loja de material de construção da cidade foi a de ter coragem de investir no capim-napier como fonte alimentar nutritiva para gado leiteiro, após receber algumas orientações do técnico agrícola Edson Oliveira, que hoje em dia trabalha na Emater de Guapirama. "No começo foi difícil convencer o meu pai, que tinha um modo mais tradicional de manejo, desde a época do meu nonno. Mas, aos poucos, fomos vendo os bons resultados e hoje ele não pensa duas vezes em investir nisso", comenta Bonoto. Com 66 anos, Flávio Luiz Bonoto confirma a constatação do filho: "É verdade. Seria bom que essa mudança já tivesse acontecido há 20 anos, quando a gente só conseguia produtividade de 2 litros/dia", reforça, com bom humor, durante a lida do manejo para a retirada do leite, hoje em dia em um processo bastante mecanizado, com ordenhadeiras e refrigerador próprios.
Bonoto também avalia que se não fosse o capim-napier plantado em dois alqueires da propriedade - não seria possível possuir a mesma quantidade de cabeças de gado e obter tamanha produtividade. "Isso seria inviável há alguns anos e é muito bom saber que isso é possível. Tivemos alguns prejuízos no começo devido ao fato de não termos feito adequadamente a adaptação alimentar do gado, mas depois resolvemos isso e hoje tudo está correndo bem", acrescenta, lembrando que vale a dica para quem quiser investir na produção da silagem de capim que esta deve ser colocada em terreno com certo declive para que o resíduo líquido do capim ensilado possa ser drenado de forma adequada. "O segredo é compactar bem", informa.
Na propriedade, além dele e do pai, trabalham seu irmão mais novo e uma tia. Na época da colheita do capim, contam com a ajuda de três trabalhadores que recebem por dia. Para auxiliar no trabalho, eles também têm maquinários para cortar o capim e levá-lo até o cocho. No caso, uma "praça de alimentação", que fica em um galpão de alvenaria com cobertura de alumínio. "Aqui nem na chuva o gado fica sem o capim-napier. É um conforto para nós e o animal", brinca o agropecuarista. (A.P.N.)





