Aliança mercadológica
Aliança Mercadológica do Norte Pioneiro. Título muito sugestivo e chique. E o que vem a ser Aliança Mercadológica do Norte Pioneiro? É um programa que começa a ser desenvolvido por 11 produtores de cinco municípios da região Santo Antônio da Platina, Jacarezinho, Jundiaí do Sul, Conselheiro Mairinck e Abatiá e que tem como finalidade produzir gado precoce, agregando valor com uma maior remuneração por arroba e disponibilizar ao consumidor uma carne de melhor qualidade. Uma linha lógica, que valorizará produto, produtores, varejistas e consumidores.
E por ser uma linha lógica, este programa é um grande sucesso na região de Guarapuava, onde foi implementado já há algum tempo. Por lá, a valorização e aceitação são tamanhas, que mais e mais produtores e varejistas querem participar.
Só que o desenvolvimento deste programa não é assim tão simples, quanto possa parecer. Princípios rígidos os mesmos que são usados em Guarapuava com regras claras e bem definidas, serão adotados por aqui.
Por exemplo: terminantemente proibido o uso de choque no embarque, transporte, desembarque e matança, que deverá seguir padrões de exportação, como 12 horas de mangueira, chuveiros fortes com água abundante antes do abate, um animal por vez no brete, etc...
Para o transporte dos animais vivos, o fretista terá que ser cuidadoso, responsável e responsabilizado. A gaiola do caminhão, além de estar limpa e com palha nova, não pode ter assoalho com buracos, tábuas quebradas ou pontas de madeira à vista. Tudo em nome da preservação do produto final; a carne.
Já os animais terão que ter dente de leite. Peso morto de, no mínimo, 180 quilos para fêmeas e 225 quilos para machos e pelo menos três milímetros de gordura na carcaça. Os animais que estiverem dentro destes padrões, terão uma melhor remuneração: machos R$ 1,00 a mais por arroba do preço de mercado, com 30 dias de prazo; fêmeas R$ 2,00 a menos que o preço de mercado do boi gordo, também com 30 dias de prazo. Animal que não estiver dentro do padrão estabelecido, preço de mercado.
Por enquanto apenas um ponto varejista é parceiro, a Casa de Carnes Minardi, de Santo Antônio da Platina, que comprará os animais seguindo uma escala pré-determinada; a cada semana de um produtor. A quantidade vai depender do consumo. Haverá padronização nos cortes. Assim, o consumidor, que embora pagará mais caro, não será lesado.
Aquele negócio de chegar no balcão da casa de carnes e o balconista te empurrar uma ''maravilhosa'' picanha de 2,5 quilos quando na verdade 800 gramas/1 quilo é de coxão duro tem que acabar. Picanha é picanha e coxão duro é coxão duro. E ponto final.
Sem falar que você tem que contar com o fator sorte ao comprar contra-filé, que para mim é o mais saboroso dos cortes. Se você não estiver em seu dia de sorte, vai levar para casa um contra-filé duro, rijo e fibroso, e aí somente a panela de pressão para dar conta. Se é para por na panela de pressão, compre acém com osso, setinho da paleta ou músculo, que são cortes mais baratos.
O programa Aliança Mercadológica do Norte Pioneiro nasce sob o signo do otimismo, com uma única e grande dúvida: mercado consumidor. É ele quem irá determinar se o programa dará certo ou não. Acredito, sinceramente, que existe na região um mercado consumidor ávido por uma carne de qualidade superior. São consumidores mais exigentes, que não se importam em pagar um pouco mais por uma carne tenra, saborosa.
Certo, mesmo, é que este programa possibilitará a abertura de novos horizontes, tanto no mercado produtor quanto no mercado consumidor da região. E vou mais além. Pelo grande potencial genético que temos, podemos criar um selo de qualidade com a marca Norte Pioneiro. Assim, ao invés de 11, teremos centenas de produtores vinculados ao programa. E, consequentemente, ampliação da rede de parceiros, com novos pontos de varejo em outras cidades da região e, posteriormente, em outras regiões do Estado. O programa é muito mais abrangente do que podemos imaginar. Vale a pena discutir e acreditar que é possível.





