Jacarezinho - Os moradores da Vila Rural Novo Texas em Jacarezinho reclamam dos valores cobrados pela água que usam para irrigar as plantações que cultivam em seus lotes. A água é fornecida pela Sanepar e o valor do metro cúbico é exatamente o mesmo cobrado pela empresa no perímetro urbano. É comum o valor da conta mensal passar de R$ 200, o que compromete a renda de boa parte das 48 famílias que moram no local.
O produtor Jerri Oliveira Miranda usa 15 mil litros de água por dia, em média, para irrigar a plantação. A maior parte, 10 mil litros, vem de uma mina que ele tem na propriedade. O restante é complementado com água da Sanepar, que só usa quando não tem alternativa.
Ele diz que recentemente usou a água por apenas três dias em um mês e recebeu uma conta de quase R$ 200. No ano passado, chegou a receber uma fatura de R$ 600.
O produtor cultiva uma grande variedade de hortaliças e colhe 30 dúzias de pés por dia. Ele só usa metade do espaço disponível para o cultivo por falta de água. Se a disponibilidade fosse maior, poderia aumentar a produção na área hoje cultivada e ainda aproveitar outra área que permanece ociosa. Há pouco tempo, ele desistiu de cultivar uma área com limão-taiti por falta de água.
O presidente da Associação de Moradores da Vila Rural, José Luiz Ribeiro, vem pedindo, há alguns anos, a instalação de um poço artesiano. Ele guarda uma série de documentos com promessas de prefeitos, recortes de jornais e gravações com os contatos que mantém em várias esferas para a solução do problema. Um dos últimos recortes é da visita que o governador Beto Richa (PSDB) fez a Jacarezinho no final de abril do ano passado. Na ocasião, o governador anunciou a licitação para a implantação de sistemas de abastecimento de água na vila rural e outras duas comunidades rurais do município.
Ribeiro colhe cerca de 2 mil pés de alface por mês e acredita que poderia até dobrar a produção se a disponibilidade de água fosse maior. "A resposta deles é que o poço virá, mas nunca dizem quando. O que a gente precisa é de uma resposta concreta", desabafa.
A conta de água do produtor, que vence este mês, é de R$ 269 para um consumo de 59 metros cúbicos. Apenas para efeito de comparação, o produtor paga uma mensalidade simbólica de R$ 26 por seu lote na vila rural, um valor dez vezes menor que a conta de água.
Para que o valor da conta de água não seja ainda maior, Ribeiro montou uma cisterna ao lado de casa para captar água da chuva. O reservatório tem capacidade para 40 mil litros e ajuda nos períodos de chuva. No entanto, como choveu pouco nos últimos meses, o resultado pode ser visto na horta: pés de couve que foram arrancados ou cebolinhas com as pontas secas.
O produtor diz que a Vila Rural de Jacarezinho é a única do Paraná abastecida com água da Sanepar. Como a conta de água tem seu peso, a esposa de Ribeiro trabalha como diarista na cidade para ajudar no orçamento familiar.

Cruzamento perigoso
A associação de moradores pede também que seja colocado um redutor de velocidade no cruzamento da BR- 153 com a PR-431, que fica a três quilômetros da vila. O cruzamento tem um "ponto cego" que dificulta a visão dos motoristas. O presidente da associação diz que já foram registrados vários acidentes no local, inclusive com mortes. A preocupação de Ribeiro se justifica principalmente porque os ônibus escolares que transportam estudantes da vila e de outras propriedades passam quatro vezes por dia pelo local.

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