Cornélio Procópio - As desavenças do cotidiano são comuns, e todos já passaram por situações vexatórias, de humilhação e assédio, mas então, qual é a diferença do bullying e de uma brincadeira de mau gosto? Conforme a psicóloga Elizângela de Padua, de Cornélio Procópio, o bullying tem a ver com o caráter persecutório e permanente (é preciso ter um longo tempo de exposição) e consequências físicas, morais e/ou psicológicas destes atos. "A vítima realmente se prejudica, e muitas vezes de modo irreversível", afirma.
Segundo Elizângela, o bullying é uma pratica de agressão na qual um ou mais indivíduos colocam outro ou outros em situação vexatória e oprimente. "Numa situação de bullying existem três personagens: o agressor, a vítima e uma figura silenciosa, a testemunha, que assiste a situação mas não denuncia, não interfere, o que acaba sendo, mesmo sem a intenção, cúmplice da situação."
Conforme a psicóloga, o agressor geralmente aprende tais comportamentos em contextos familiares. "Famílias regidas pela submissão a um poder inquestionável e agressivo dos pais. Os filhos podem se identificar com este papel e reproduzir em seu contexto social, com pessoas mais frágeis ou menores. Ou então, é possível que os pais tenham sido permissivos demais, fazendo com que a criança não tenha consciência de limites", explica.
Para a psicóloga, os pais devem saber colocar limites sem tomar atitudes agressivas. "Se é este modelo de relação que a criança tem em casa (imposições, sem abertura para o afeto e o diálogo) é natural que reproduza em outros ambientes. É preciso estimular esses jovens a serem mais cooperativos e sensíveis às necessidades dos outros e a melhor forma de aprender é por meio de modelos de comportamentos de pais e professores. Também é necessário por em pauta para dialogar os pontos que ele repudia nas suas vítimas (por exemplo a homossexualidade, feminilidade, cor, peso, etc), desfazendo preconceitos, exaltando os direitos do outro e as consequências de seus atos", orienta. (R.P.)

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