Itambaracá - O açúcar mascavo produzido por uma empresa familiar de Itambaracá serve de referência para o padrão de qualidade exigido pelo mercado consumidor do País. A indústria é a Doce Brasil, que fabrica 90 toneladas de açúcar sem refino por mês, sendo que 95% da produção é embalada com a marca de uma multinacional do setor de alimentos e distribuída para todo o Brasil. Os outros 5% são vendidos a granel para vários clientes e embalados com a marca da empresa.
O padrão de qualidade da empresa de Itambaracá é reconhecido por parceiros que exigem o mesmo nível de outros fornecedores. Todo processo de produção é acompanhado de perto pelos irmãos Fernando e Roldão Junior. Os cuidados com a produção, segundo eles, começam ainda no campo, com a escolha da matéria-prima, cultivada sem nenhum tipo de agrotóxico. Outro cuidado é não realizar a queima da palhada da cana para a colheita, mas sim cuidam da retirada de todas as folhas.
Os caules passam por um processo de moagem e o caldo é peneirado antes de seguir para os tachos onde são submetidos a uma temperatura de 124 graus. Quando o caldo concentrado chega ao ponto, ele é levado a uma espécie de betoneira onde é mexido até ficar bem solto. O açúcar agora é peneirado, o que mantém o produto bem fino. E após o resfriamento, já está pronto para ser embalado, sem nenhum aditivo químico.
A diretora administrativa do empreendimento, Mônica Zambon Holzmann afirma que o consumo de açúcar mascavo vem aumentando no país e a Doce Brasil teria condições de colocar o dobro do que produz hoje no mercado se tivesse como aumentar a produção.
A dificuldade começa com a falta de matéria-prima. Ela diz que a empresa está buscando novas áreas para o cultivo de cana-de-açúcar e que vai passar por um processo de modernização administrativa para aumentar a produção sem perder a qualidade do produto. Além disso, a empresa está para lançar outros produtos, como a barra de cereal, bala de banana, frutas desidratadas, linhaça, granola e aveia.
Embora seja artesanal, quase nada se perde no processo de produção. Até mesmo a sobra dos tachos é transformada em álcool combustível que serve para abastecer os carros da empresa. A produção média é de 50 litros por dia.

TRADIÇÃO
A família Zambon tem tradição secular na produção de açúcar. O casal Roldão e Irene, que mora há décadas em Itambaracá, queria fabricar um açúcar de melhor qualidade, sem processo de refino. Eles fundaram a Doce Brasil em 1994, mas a empresa só passou a existir oficialmente seis anos depois. Foram três mudanças de equipamentos para o processo de produção chegar no ponto considerado ideal.
Hoje, a empresa é gerida por três filhos do casal. Roldão Junior é responsável pela produção no campo, Fernando pelo setor industrial e Mônica pela setor administrativo.

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