Santo Antônio da Platina – As cerca de seis mil fotografias do acervo do fotógrafo José Tanko, guardadas há mais de duas décadas em caixas de papelão, enfim começam a ser catalogadas. Funcionários do Departamento de Cultura de Santo Antônio da Platina trabalham na organização do material que resgata a memória do município. A intenção é montar uma exposição com parte do acervo para a 42ª Exposição e Feira Agropecuária de Santo Antônio da Platina, marcada para a última semana do mês.
Após a morte de José Tanko, em 1992 (aos 78 anos), o acervo foi doado pela família para a então Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi), em Santo Antônio da Platina. Sem sair das caixas, o material foi entregue à Prefeitura no dia 8 de março do ano passado e levado para a Biblioteca José de Alencar, onde começa a ser catalogado.
A equipe de trabalho conta com três pessoas. O professor de História e pesquisador João Paulo da Silva, de 28 anos, tenta uma parceria com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), em Jacarezinho. A ideia é conseguir reforço de pelo menos cinco acadêmicos para aumentar o ritmo de catalogação. "São muitas fotos. Um material riquíssimo que não pode ficar escondido", afirma.
Silva trabalha há quatro meses no projeto e destaca a importância histórica do acervo. "O processo de formação da cidade tem poucas fontes de consulta. Depois de organizado, este acervo pode servir de base para muitos estudos", ressaltou.
De acordo com o diretor de Cultura do município, Antônio Altvater, também formado em História pela Uenp, o primeiro passo é separar as fotos de interesse coletivo dos registros de família. Em seguida, todo o material será catalogado, ganhará código de barras e será digitalizado.
Segundo Altvater, a cópia digital é uma forma de manter o acervo em segurança. "Mesmo com todo o cuidado que temos no manuseio, com luvas e outros equipamentos, o papel tende a se deteriorar. Então vamos passar tudo para o computador", explicou. Os negativos, mais sensíveis, são itens que mais preocupam.
Além dos retratos, o acervo conta com máquinas fotográficas, documentos e objetos antigos. Um dos itens que mais chamam atenção pelo valor histórico é um "aparelho fotográfico" dos anos 1920, com uma caixa de madeira retangular, cortina e lentes interligadas a um fole sanfonado. Outras raridades surgem em meio às pilhas de caixas. "Encontramos até uma beca de formatura bem antiga. Será exposta em um manequim", antecipou Altvater.

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