Acervo do Salão de Artes Plástica de Jacarezinho passa por restauração
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Reportagem Local 

Uma parceria entre o Centro de Letras, Comunicação e Artes da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), o CAT (Conjunto Amadores de Teatro), o Sesc e a Prefeitura tem realizado, desde abril de 2017, um trabalho de recuperação do acervo do Salão de Artes Plásticas de Jacarezinho. Guardado nas dependências do CAT, o acervo reúne cerca de 150 obras, algumas delas de 1960, quando o Salão começou a ser realizado na cidade.
A ideia de desenvolver o projeto para recuperação das obras surgiu em 2016, quando a mestranda Juliana Carolina da Silva, na época, acadêmica de história, procurou o CAT para realizar um projeto de iniciação científica com bolsa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que tinha por objetivo realizar levantamento sobre os artistas de Jacarezinho e região. "Fiquei impressionada com a quantidade e a qualidade das obras", destaca Silva. A partir da realização do trabalho, a estudante percebeu que algumas obras estavam bastante danificadas pelo tempo. Outras, sem identificação do artista e do ano em que foram expostas. "Foi aí que começamos a conversar sobre a necessidade de fazer algo a respeito", lembra.
Criado no começo de 2017 e coordenado pela professora Luciana Brito, o projeto de Extensão "Salão de Artes de Jacarezinho: diálogo entre a memória, arte, preservação e ensino", conta com a participação de três bolsistas do Programa Universidade Sem Fronteiras, da SETI, e dois do Pibex (Programa de Bolsas de Extensão Universitária), da Fundação Araucária. O projeto prevê, além da catalogação, um trabalho de limpeza e restauração das obras. "Temos uma parceria com o Museu de Artes do Paraná. Os alunos fizeram estágio junto aos profissionais que trabalham no museu, para que pudessem aprender técnicas de limpeza e restauração de obras", diz Luciana Brito.
Ela destaca ainda que o projeto vai muito além do trabalho manual para recuperar as obras. "A ideia é resgatar a memória do salão. Por isso, realizamos oficinas e palestras sobre artes junto à comunidade. E ainda queremos, ao final de todo esse trabalho, fazer uma grande exposição desse acervo à comunidade já que muitos desconhecem a existência dessas obras."
Uma ação conjunta com um outro projeto do Universidade Sem Fronteiras deverá ampliar ainda mais o acesso ao acervo, adianta Luciana Brito sobre uma parceria com o projeto "Não apague minha memória", que é coordenado pelo professor José Reinaldo Merlin, do campus Luiz Meneghel. "Por meio desse projeto maravilhoso, iremos criar um museu virtual do Salão de Artes de Jacarezinho, o que possibilitará transcender limites geográficos e contribuir ainda mais para a valorização do local", complementa.
Para Geraldo Silva, conselheiro do CAT e profundo conhecedor do acervo, o projeto vem ao encontro de um sonho antigo. "Eu sempre me perguntava se conseguiríamos alguém para fazer esse trabalho de reparo das obras. E então, quando alguns alunos da Uenp apareceram perguntando sobre o acervo, vi que essa era a oportunidade de firmar uma parceria", conta.
O Salão de Artes Plásticas de Jacarezinho é um dos mais antigos do Paraná e atraía artistas de vários lugares do país, lembra seu Geraldo. "As obras que estão aqui são parte da história da nossa cidade e da nossa gente. Não podemos deixar que isso caia no esquecimento. Felizmente encontramos pessoas dispostas a preservar essa memória", disse Geraldo Silva.
Para a diretora do CAT e técnica de atividades do Sesc de Jacarezinho, Elaine Sartori Diniz Stramare, a parceria entre diversas instituições deu certo e os resultados estão sendo positivos. "Eu fico muito feliz em ver tanta gente reunida pela causa do nosso acervo. Todos ajudando, cada um a seu modo, para que a memória da nossa cidade seja mantida. Só tenho a agradecer a Uenp, que tem se mostrado uma parceira valorosa na promoção da cultura da nossa região", enfatiza.
O diretor do Campus de Jacarezinho, Fábio Antonio Neia Martini, reconhece no projeto em andamento uma instância de valorização da arte local. "Esse projeto brilhante tem contribuído de maneira expressiva para valorização da arte, por meio do processo de reconhecimento do valor artístico, histórico e cultural do Salão de Artes de Jacarezinho.".
O projeto conta com a colaboração dos professores-doutores Janete Leiko Tanno e Márcio Luiz Carreri, do colegiado de história da Uenp.
TREINAMENTO E EXPOSIÇÕES
As bolsistas Juliana Carolina da Silva e Camila Pereira de Souza receberam, no mês de setembro de 2017, treinamento de conservação de acervo no Museu Paranaense. Durante os dias de capacitação, as bolsistas puderam realizar a conservação de pintura, executando desde a desmontagem à catalogação de acervos. "O treinamento foi maravilhoso, aprendemos a higienizar, catalogar e também a realizar pequenos reparos nos documentos mais desgastados", relata Juliana.
Durante esses nove meses, além dos trabalhos com o acervo do CAT, o projeto tem contribuído para realização de exposições e oficinas na universidade. Em 2017, a equipe trabalhou no processo de montagem do salão; na curadoria da exposição que levou obras de artistas locais para a Universidad Nacional de Itapúa, no Paraguai; na montagem da exposição de desenhos do 3º Encontro de Integração e na organização da 3º Mostra de Arte Afro-brasileira da Uenp. Até início de 2018, a equipe auxiliará ainda a Proec na organização de uma exposição do escultor jacarezinhense Joãozinho Caldeira.
O diretor de cultura da Uenp, James Rios, enaltece a importância do projeto e a parceria firmada com a Proec. "Salvaguardar a memória do Salão de Artes de Jacarezinho será certamente o maior legado desse projeto conduzido pela professora Luciana Brito", disse.


