Santo Antônio da Platina – Os moradores do bairro Santa Ivone, em Santo Antônio da Platina, reclamam do mau cheiro e da infestação de mosquitos em uma área próxima ao Ribeirão Lindóia, na Rua 19 de dezembro. Eles denunciam a existência de um abatedouro clandestino e reclamam da ausência de fiscalização das autoridades.
Uma moradora que não quis se identificar garante que o local é utilizado diariamente para o abate de bovinos e suínos, durante a madrugada e no período da tarde. Ela comenta que o mau-cheiro e o barulho provocado pelos animais causam transtornos em todo o bairro. A moradora disse que há cerca de dois anos o abatedouro foi interditado, mas três meses depois os abates foram retomados.
Segundo ela, cerca de 20 veículos transportam animais para o local todas as semanas. O número de veículos e animais aumenta às quintas e sextas-feiras. Os moradores reafirmam que vários açougues da região utilizam os serviços do abatedouro. ‘‘Os caminhões começam a chegar no final da tarde. O número de animais mortos é muito grande’’, afirmou moradora.
O menor R.P.L., de 14 anos, mora na região e confirma que durante a madrugada os berros dos animais ficam mais frequentes. Ele conta que viu bois e porcos serem transportados por caminhões para o local. ‘‘Eles tentam esconder, mas dá para ver que são animais’’, diz. R.P.L comenta que os animais são mortos com golpes de machado. Em alguns casos, segundo ele, os animais já estão mortos quando são levados para o abatedouro.
A moradora Benedita de Barros, 70 anos, diz que não compra carne na cidade. O mau cheiro, segundo ela, se espalha por todo o bairro. A moradora disse que observou vários caminhões transportando animais para o local. Ela confirmou que vários animais já estavam mortos ao chegar. Segundo a aposentada, em alguns casos as carcaças estavam abertas e exalavam cheiro forte e ruim. ‘‘Em casa só como frango. O pessoal daqui tem medo de comprar carne na cidade’’ acrescenta.
O proprietário do local, Gervásio da Silva, 58 anos, nega a existência do matadouro. Ele alega que apenas mata alguns animais para consumo próprio. Ele garante que não mata bovinos e que os porcos são consumidos ou levados para a feira municipal.
Silva afirma ainda que o abate de bois no local está suspenso há um anos. Ele nega a ocorrência de mau cheiro e garante que não utiliza o ribeirão Lindóia para despejos. ‘‘Tem pessoas que não gostam que a gente trabalhe e criticam’’, esquiva-se.

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