A rotina em nova terra
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quarta-feira, 09 de outubro de 2013
Aline Damásio<br>Especial para FOLHA 
Carlópolis - A 400 quilômetros distante da terra natal, 47 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tentam se adaptar a uma nova vida no Norte Pioneiro. Há seis meses, elas se mudaram para o assentamento Elias Gonçalves de Meura, no bairro Nova Brasília, em Carlópolis, em área de 504 hectares da fazenda Santa Laura, desapropriada após ter sido classificada como improdutiva pela União.
As famílias vieram de Planaltina do Paraná (Noroeste) em abril, deixando para trás uma história de conflito, que perdurou por nove anos de acampamento pela disputa de terra da fazenda Santa Filomena, declarada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 1998. O caso se tornou emblemático da luta pela reforma agrária no País (leia mais nesta página).
O grupo ainda se acostuma com o clima, a terra vermelha dos cafezais e até a segurança de ter um solo próprio para plantar. As famílias estão vivendo em torno de onde um dia foi a sede da fazenda, que hoje é tomada por barracas de lona e algumas casas de madeira recém-construídas. Todas as barracas têm energia elétrica e três torneiras fornecem água de mina para cerca de 180 pessoas. Algumas hortas já foram formadas e ajudam incrementar a alimentação da comunidade, que também recebe cestas básicas do governo federal.
Planos
O porta-voz dos assentados, Wellington Lenon Ferreira Lima, conta como foi deixar para trás uma terra pela qual lutaram por vários anos, e quais os planos das famílias. "Foram nove anos de luta que infelizmente deixamos para trás, sem conquista. Não conseguimos aquela área, deixamos parentes e uma história em Planaltina, mas agora temos a segurança e a oportunidade de trabalharmos em uma nova terra. Temos um futuro certo agora", afirma.
Antes da mudança, o principal cultivo dos sem-terra era mandioca; hoje, eles se dedicam ao plantio de milho. "Aos poucos, vamos nos acostumando com o solo diferente e colocando em prática nossos projetos. Um dos principais é a agroecologia. Queremos viver do cultivo de alimentos orgânicos e, no futuro, vender esta produção. Outro projeto é a montagem de uma cooperativa para as mulheres, que terão a oportunidade de trabalhar na produção de pães e artesanato", vislumbra Lima.
Divisão da terra
A demarcação de lotes ainda não foi feita pelo Incra, e o processo ainda deve levar pelo menos dois anos. Segundo o coordenador do assentamento, Vilmar Ferreira de Souza, a distribuição do trabalho e do que é plantado por enquanto é organizada por pequenos grupos formados entre as famílias. Alguns assentados também conseguiram emprego na colheita de café em propriedades vizinhas. "Fomos muito bem recepcionados pela vizinhança, sem nenhum preconceito. Ficamos surpresos com a amizade já que alguns movimentos de reforma agrária, geralmente, ficam com uma imagem ruim perante os agricultores", conta Souza.
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