A romaria pela saúde
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2011
Érika Gonçalves <br> <br> Reportagem Local 
Acordar cedo, viajar quilômetros e quilômetros, perder o dia de trabalho, muitas vezes se sentindo mal e só voltar para casa à noite, depois de outra longa viagem. Essa é a rotina de centenas de pessoas, como Terezinha da Silva Figueiredo, que trabalha como diarista na roça e há três anos precisa se deslocar de Leópolis para Londrina no mínimo uma vez por mês para fazer um tratamento para glaucoma.
''Até tentei fazer o tratamento em Cornélio Procópio, mas não teve jeito e precisei ser encaminhada para Londrina. Quando venho para cá acabo perdendo o dia de trabalho e só volto para casa no fim da tarde, enfrentando mais uma hora e meia de viagem'', lamenta.
A babá Raine Micaela Euzébio, de 17 anos, vem de Andirá semanalmente e enfrenta duas horas de viagem. Para chegar cedo ao hospital, é preciso sair de casa às 5 horas da madrugada e também perder o dia de trabalho, já que o retorno é só quando todos os outros pacientes que vêm juntos na van da prefeitura terminam o tratamento. ''Agora ainda venho sozinha, mas quando era mais nova precisava de um acompanhante, que também acabava perdendo um dia de trabalho'', explica.
Quem é aposentado não falta ao trabalho, mas também sofre com a viagem nem sempre rápida. Osmar José da Silva, de 76 anos, uma vez por mês precisa sair de Bandeirantes e vir para Londrina fazer tratamento de catarata. Sua colega de viagem, a técnica em segurança Valdirene Paduan, também vem algumas vezes ao mês para um tratamento vascular, não disponível no município de origem. ''Perder o dia de trabalho já é difícil, se o motivo for médico então, é pior ainda. Mas como não tem tratamento mais perto de casa, o jeito é esse'', resigna-se.
Descentralização
Para tentar melhorar essa situação, alguns municípios estão buscando recursos para ampliar seus hospitais e até criando clínicas e fazendo convênios para tentar evitar que os pacientes tenham que enfrentar a rotina de viagens para tratamento médico.
Dartagnan Calixto Fraiz, presidente da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) acredita que é necessário reorganizar a rede de hospitais para que cidades de menor porte e que tenham condições, sejam centro de referência em determinada especialidade.
''Isso liberaria o hospital de grande porte para aqueles casos mais graves. E hoje estão sendo encaminhados casos que poderiam ser resolvidos na região. Há também a necessidade de uma resolutividade maior na cidade de origem, para que não se encaminhe aquilo que possa ser resolvido no local'', destaca.
Fraiz reconhece, no entanto, que sozinhos os hospitais não teriam condições de absorver todo o fluxo de uma região. ''É necessário uma política no Estado, reorganizando toda essa rede. Sozinho não se consegue.''
Outro problema enfrentado pelos municípios menores - e que precisa ser pensado no caso de uma descentralização -, surge na hora de contratar médicos. ''Temos dificuldade porque o médico quer conforto para ele e sua família. Não é só pelo baixo salário, mas a própria cidade não oferece as condições que ele quer para a família dele'', diz Fraiz.
Para o presidente da Amunorpi, a melhor saída seria a união de cidades pequenas para fazer um consórcio em um hospital centralizado entre elas, mas que para se concretizar é necessário uma política de saúde estadual, para mapear o Paraná inteiro.
Por enquanto, os municípios fornecem os carros, marcam consultas e firmam convênios com casas de apoio para tentar ajudar quem precisa viajar para fazer tratamento médico.
Centros de especialidade
O diretor da 19 Regional de Saúde, Antônio Carlos Setti, explica que dentro do programa de formatação de redes de atenção à saúde está prevista a criação de centros de especialidades, que deverão diagnosticar e resolver os problemas no mesmo local, sem necessidade de encaminhamento.
''Temos que considerar, no entanto, que alguns serviços demandam maior tecnologia e por isso ficam em cidades polo, muitas vezes fora da regional macro e só disponível na capital do Estado, por exemplo'', alerta.


