Há 50 anos, praticamente, não existiam prontos-socorros pediátricos. Em caso de emergência ou quando as condições não permitiam levar o doente ao consultório, o médico era chamado para uma consulta em domicílio. Geralmente eram atendidos após o horário do consultório e não eram raras as visitas já tarde da noite ou até mesmo de madrugada.
Aí surgiram os prontos-socorros (PS). Prestam grandes serviços, mas nos últimos anos está havendo uma (perigosa) distorção do uso desse serviço e o que era (e realmente é) para atender apenas emergências está sendo utilizado como recurso para as consultas pediátricas comuns (rotineiras). E essa nova e ''perigosa'' cultura do pronto-socorro contaminou todas as camadas sociais, tanto as menos favorecidas como até mesmo as de melhor nível sócio-econômico.
É comum ser atendidos casos de tosses de duas ou mais semanas de duração, asma fora da crise, resfriados e faringites comuns. E se a criança não melhora ... a família volta ao PS (ao mesmo ou a outro), mas sempre atendido por um plantonista diferente. Qual o problema?
Mesmo sendo um excelente médico, o plantonista, às vezes, nunca viu aquele doente, não conhece suas características e assim mesmo vai ter que receitar algo para este doente, em virtude do despreparo daquela família que está frente a um ente querido acometido por algo que danifica sua saúde.
Talvez para agradar e dar uma satisfação aos familiares que, afinal de contas procuraram por um médico, vê-se na obrigação de receitar algo. Aí então temos receitas de 14 ou mais dias de antibióticos para uma coisa que talvez sejam necessárias mudanças no decurso da doença, porém como o médico não o verá mais, não ocorre a mudança de medicamento e assim não se obtém a melhora do doente. Isto porque não se faz uma consulta de reavaliação do caso em questão.
Qual a explicação para essa ''cultura do PS''?
Em primeiro lugar, provavelmente um certo comodismo da sociedade atual que prefere ir a um lugar que atende as 24 horas do dia. Mas essa comodidade, não rara, custa caro, com espera prolongada na sala de espera.
Outros dizem que fica mais fácil para fazer exames de laboratório. Mas exatamente por esta facilidade e aliado ao fato de o plantonista não conhecer o doente e não ser possível retornos e contatos telefônicos, ocorre um exagero no pedido de exames (laboratório, radiológicos e outros tantos) que nem sempre são necessários, tomando mais tempo ainda desta família, para providenciar os mesmos e às vezes sendo dispensáveis ou até injuriantes ao doente.
Então, como é que fica? Levar o paciente ao PS nas emergências verdadeiras, como falta de ar, convulsão, febre altíssima, vômitos que não param... e no caso em que o pediatra (ou outro profissional pediatra) não pôde ser encontrado.
Assim que possível, comunique o fato ao seu pediatra. Ele o orientará a continuidade do tratamento. Nunca procure fazer tratamentos completos no PS, fazendo retornos frequentes com plantonistas diferentes.
Seu pediatra deve ser consultado com regularidade (frequente) para que ele possa cuidar da saúde (não só da doença) de seu filho.
- CLAUDINEI DE OLIVEIRA é médico pediatra em Santo Antônio da Platina

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