A memória despedaçada
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terça-feira, 23 de julho de 2013
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
Ibaiti - Eusébio Paulo de Oliveira "se fez o verdadeiro fundador da geologia do Estado do Paraná", por suas pesquisas a partir de 1907 e a produção do primeiro mapa geológico do Estado, entre 1923 e 1925. O reconhecimento, do geocientista e historiador Reinhard Maack, permite deduzir que a jornada no Paraná credenciou Eusébio para assumir a direção do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, em 1925, na condição de autoridade com prestígio incondicional do governo, até 1939, quando morreu, aos 56 anos.
"Ao eminente geólogo Eusébio de Oliveira, a pátria agradecida pelos serviços à ciência. Getúlio Vargas" 10 de dezembro de 1941, lê-se no monumento a Eusébio, no Rio de Janeiro, inaugurado pelo então presidente da República.
Em Ibaiti, o distrito Eusébio de Oliveira se originou da estação ferroviária, que recebeu o nome do geólogo, inaugurada na década de 40 e que atualmente está em ruínas. Talvez fosse possível transformá-la em memorial de quem prospectou os minerais na região, se os moradores e o poder público não ignorassem completamente quem foi Eusébio, nem sequer mencionado no conteúdo da escola municipal.
Com a finalidade principal de escoar o carvão extraído em Figueira, o ramal ferroviário incluiu o transporte de passageiros, que cessou em 1969. Desativou-se a ferrovia em 1975. Paralelamente, a comunidade Eusébio de Oliveira declinou, perdendo população e quase todo o comércio.
Carregando compras, à porta da venda, o homem percebe que será indagado a respeito da estação, ali em frente, e antecipa uma resposta resumidíssima: "Sem elogios..." E vai saindo. A moça que atende no balcão limita-se a um "Não sei", quanto ao nome do geólogo ainda por inteiro numa lateral da estação, já com a cobertura e o interior destruídos.
Há no "conteúdo" do ensino fundamental dados do município, "mas do bairro não consta nada", nenhuma menção a Eusébio, diz a professora Zilma Teixeira Maichaki, do grupo escolar municipal. Neta de antigos moradores, a funcionária da escola Osmarina da Rosa chegou com os pais em 1965 e sua irmã Rachel nasceu em 1966. Pelo que ouviram, elas dizem que Eusébio de Oliveira morreu há tempos e se há alguém que o tenha conhecido, deve ser o "seo Dário", morador mais antigo.
"Não sei", responde prontamente Dário Moreira de Sousa, de 84 anos."Cheguei aqui em 1º de janeiro de 1957. Para entrar aqui e sair, não tinha estrada, só o trenzinho de ferro", recorda.
Escola preservada
"O que temos de mais importante é a escola", afirma a professora Zilma, orgulhosa porque a comunidade se uniu para mantê-la quando o município cogitou, recentemente, desativá-la e transferir os 35 alunos a outro estabelecimento. Uma parte dos alunos reside no perímetro urbano, outra chega em ônibus escolar de sítios e outras localidades. Com três salas de aula e áreas de recreação, o prédio é de alvenaria.
Desde 2001 na comunidade, Zilma avalia o esvaziamento populacional pelo decréscimo de alunos, que eram mais de 100 em 2001, em quatro turmas de 25 a 30. Zilma e Osmarina estimam 100 famílias no patrimônio; por sua vez, Dário acha que sejam "70 por tudo". O que faz as pessoas irem embora é a falta de emprego, afirma Dário. Ele lembra a construção das casas populares, na década de 80, para trabalhadores da usina de cana Santa Laura, mas a empresa fechou e há moradias desocupadas.
Apesar do declínio da localidade, a comunidade tem energia elétrica, posto do Correios, "postinho" de saúde e rede de água, cujo abastecimento não é preciso pagar.

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