A luta das mulheres contra a desigualdade
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quarta-feira, 06 de março de 2002
Ana Paula Machia<br>Especial para Folha 
As mulheres têm conquistado espaço no mercado de trabalho. As estatísticas comprovam que elas estão ocupando cargos importantes em diversos setores privados e públicos. Na região do Norte Pioneiro e Norte Novo o número de vereadores é de, aproximadamente, 437, sendo que 29 são mulheres. Nas 45 prefeituras da região quatro mulheres estão no comando da administração pública. Dados do Ministério Público de Curitiba apontam que existem, em todo o Estado, 57 procuradores de Justiça, sendo que três são mulheres.
A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado aponta que na região do Norte Pioneiro e Norte Novo existem cerca de 311 mil homens e 308 mil mulheres. Nos municípios de Andirá, Bandeirantes, Cambará, Jacarezinho, Joaquim Távora, Santo Antonio da Platina, Siqueira Campos, Wenceslau Braz, Rancho Alegre, Cornélio Procópio, Jataizinho, Assaí, São Sebastião da Amoreira e Nova Santa Bárbara o número de mulheres é superior ao dos homens, superando cerca de 50%, se somadas as estatísticas de todas as cidades. Apenas em Santa Mariana o número de homens e mulheres é o mesmo, 6735.
Apesar de ganharem espaço no mercado de trabalho e de, em muitos municípios serem um número maior que o de homens, as mulheres ainda sofrem com a desigualdade. A reitora da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Samia Saad Galote Bonavides, realizou um estudo para apresentar em uma conferência no Ministério Público e concluiu que, apesar das estatísticas, a mulher ainda é tratada com desigualdade, ocupando cargos em que os salários, geralmente, são mais baixos.
A igualdade constitucional, na prática, ainda não está consolidada. A mulher sofre violência dentro de casa e no mercado de trabalho. Embora a igualdade seja preservada por lei, de alguma forma ainda existem preconceitos, afirmou. Apesar disso, Samia acredita que o movimento de igualdade entre homem e mulher está em progressão. Ela afirma que a sociedade vive a terceira fase do movimento feminista, que está atingindo um amadurecimento. Antes as mulheres tentavam ser iguais aos homens em todos os aspectos, hoje, porém, ela tenta conquistar o seu espaço à sua maneira.
A socióloga e prefeita de São Jerônimo da Serra, Maria Luiza Copla, acredita que a mulher já conseguiu conquistar um grande espaço no mercado de trabalho e que esteja se libertando do estereótipo social. Segundo ela, há algum tempo a principal função da mulher era cuidar da casa e dos filhos. Hoje ela trabalha fora, assumindo compromissos com serviços externos e com a casa. Eu acredito que somos iguais aos homens, porém, muitas de nós ainda sentem-se acanhadas para assumir isso. A mulher tem um grande potencial e pode fazer muito pela comunidade, município, Estado e País.


