A interiorização da violência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
A violência - que antes era exclusividade dos grandes centros - tem ganhado cada vez mais espaço na rotina das cidades do interior, inclusive no Norte Pioneiro.
Matéria publicada pela FOLHA recentemente mostrou que números de homicídios no Paraná subiram 103%. Entre 2000 e 2010 a quantidade de casos passou de 1.766 para 3.588. O estudo, organizado pelo Instituto Sangari, aponta para interiorização da criminalidade.
As três regionais da Polícia Civil (PC) que atendem as 46 prefeituras do Norte Pioneiro lutam para combater esse tipo de crime. Levantamento feito pela reportagem junto às delegacias da região revela detalhes mais graves dos homicídios na região.
Em Cornélio Procópio, sede da 11 Subdivisão Policial (SDP) que atende 21 cidades, o documento Mapa da Violência apontava 41 homicídios em 2010, no entanto, o delegado-adjunto, Luiz Carlos Mânica atualiza os dados e informa um número mais elevado: 54 pessoas foram assassinadas nesta área da PC.
Na comparação com o ano passado, os números apontam para uma ligeira redução nos casos. ''Foram 52 homicídios em 2011, houve uma diminuição desses crimes na nossa área'', esclarece.
Como principais motivos para essa queda, o delegado aponta três fatores: primeiro, o estudo das áreas vulneráveis e a atuação conjunta e ostensiva das polícias Civil e Militar nessas localidades . O segundo é o auxílio da população com denúncias anônimas. E por último a rápida solução dos casos. ''A solução dos crimes é o mais importante e temos resolvido todos'', argumenta.
Dos 52 crimes contabilizados pela 11 SDP em 2011, 35 ocorreram em apenas cinco cidades - Jataizinho 12 crimes, Cornélio Procópio, sete, Bandeirantes e São Jerônimo com seis cada e Assaí com quatro. ''Não dá para precisar o que motiva a concentração de casos. Cada cidade tem sua característica. Jataizinho, por exemplo, fica próximo à Londrina que é um grande centro, essa proximidade pode ser um aspecto motivador'', opina Luiz Carlos Mânica.
Na 12 SDP em Jacarezinho, que concentra o atendimento da PC de 22 municípios, os números também são superiores aos divulgados pelo estudo do Instituto Sangari. A delegada-adjunta Patrícia Cavalari Bocamino Taborda informa que em 2010, apenas os casos dolosos - com intenção de matar - somaram 30 - sete casos a mais que os do estudo que apontava 23 assassinatos.
Apesar da constatação negativa, a delegada afirma que a quantidade de assassinatos na área da 12 SDP vem caindo nos últimos dois anos. De acordo com ela, em 2009 os registros totalizaram 33 homicídios. Já no ano passado foram 24 dolosos e cinco culposos totalizando 29. ''É um caso a menos entre os homicídios dolosos de 2010, que já haviam apresentado redução'', pondera. Até agora 92% dos homicídios foram solucionados, mas a expectativa da Polícia Civil é fechar número em breve, uma vez que os inquéritos em aberto são recentes e as investigações caminham positivamente.
Palestras policiais em escolas e outras instituições e o trabalho conjunto com a Polícia Militar (PM), além de operações com equipes de São Paulo na fronteira entre os estados são listadas pela delegada Patrícia como medidas que colaboram para a redução dos casos de mortes violentas.
Na comarca de Curiúva, onde a delegacia atende os municípios de Sapopema e Figueira também houve redução nos casos de mortes violentas. De acordo com a PC local foram seis homicídios em 2010 contra apenas dois no ano passado.
Sobre a diferença nos números do estudo do Insituto Sangari com os levantados pela FOLHA junto às subdivisões da Polícia Civil, o autor do Mapa da Violência, Julio Jacobo Waiselfisz, justifica dizendo que os dados de 2010 eram preliminares e podem ter sofrido alterações. Ele alega ainda que há uma diferença na busca pela informação. ''Meu estudo trabalha a partir de dados das declarações de óbito que originam as certidões de óbito dos cartórios de Registro Civil do país, que posteriormente são aglutinadas pelo Ministério da Saúde no Subsistema de Informações de Mortalidade (SIM). As secretarias de Segurança trabalham com os Boletins de Ocorrência Policial'', explica.


