90% das prefeituras do NP aderem a protesto
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Marcos André de Brito<br>Especial para a FOLHA 
Cornélio Procópio - A crise enfrentada pelos municípios paranaenses foi lembrada na segunda-feira com paralisações nas prefeituras em todo o Estado. Programado pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP), o "Dia do Protesto" teve a adesão de cerca de 90% das prefeituras do Norte Pioneiro, que fecharam suas portas e, em muitos casos, reduziram ou suspenderam o atendimento de setores essenciais, como saúde, educação e coleta de lixo. "As prefeituras estão sangrando. Se a distribuição de recursos, principalmente por parte do governo federal, não for redefinida por meio de um novo pacto federativo, nossos municípios serão inviáveis em pouco tempo. Isso pode causar sérios impactos na qualidade de vida da população de toda nossa região", denuncia a presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) e prefeita de Leópolis, Clea Márcia Bernardo de Oliveira.
A Prefeitura de Santo Antônio da Platina manteve apenas os serviços essenciais à população. Para o prefeito Pedro Claro de Oliveira Neto (DEM), a manifestação foi por uma causa extremamente importante. "Não gosto de protestos, porém, este foi por uma boa causa. As prefeituras paranaenses estão sofrendo com a redução no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), e o governo federal precisa dar uma resposta convincente à população", justifica o democrata.
Segundo a AMP, a queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios de setembro foi de 38% na comparação com o mesmo período de 2014. "Grande parte do FPM é destinada, principalmente, ao pagamento dos professores. Como não podemos mais contar com um valor fixo, precisamos buscar alternativas para honrarmos os compromissos", diz Oliveira Neto.
Em Leópolis e Santa Mariana, todos os setores foram paralisados. "Deixamos apenas nossas ambulâncias de plantão", confirma o prefeito de Santa Mariana, Jorge Nunes. O prefeito de Itambaracá, Amarildo Tostes, informou que a adesão foi grande e com respaldo da população. "Temos que mostrar aos governos do Estado e do País, que estamos, a cada dia, mais pobres. Se continuarmos assim, não teremos condições de cumprir os compromissos mais básicos", lembra o prefeito de Nova Fátima, Nilson Xavier.
Segundo o departamento jurídico da Prefeitura de Bandeirantes, o município também aderiu ao movimento, paralisando as atividades da prefeitura e de todas as escolas municipais. Serviços considerados essenciais, como postos de saúde, cemitério, rodoviária e coleta seletiva, funcionaram normalmente. (Colaboraram Luiz Guilherme Bannwart e Ana Paula Nascimento)


