36 anos de HISTÓRIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Marcos André Brito<br> De Santo Antônio da Platina<bR> Especial para a Folha 
A edição número 693 marcou os 36 anos de fundação da Tribuna Platinense, o primeiro jornal editado em Santo Antônio da Platina com periodicidade quinzenal. A Tribuna promoveu diversas campanhas, como pavimentação de rodovias e instalação de uma subestação da Copel. Editado desde 1965 pelo jornalista e advogado Noel Cândido de Moraes, 71 anos, a Tribuna continua mantendo o ideal municipalista e lutando pelas causas da região.
O jornal chegava às bancas de Santo Antônio da Platina em agosto de 1965 e iniciava uma atuação jornalística até então inexistente na região. O editorial ''Rumos e definições de um jornal exclusivamente platinense'' antecipava um trabalho voltado para os problemas que a região enfrentava na época e que se transformariam em bandeiras de luta do periódico.
Foi através do jornal que autoridades estaduais e federais se sensibilizaram e concluiram a pavimentação da BR-14, atual BR-153, a Transbrasiliana. Uma intensa campanha promovida pelo jornal passou a denominar a região de Norte Pioneiro e não Norte Velho, como era conhecida. Também através de campanha da Tribuna, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) passou a atender a região, anteriormente servida pela Companhia Paulista Santa Cruz. Moraes contabiliza centenas de campanhas e notícias que foram divulgadas primeiro na Tribuna, para depois ser destaque em outros jornais.
Quando ainda era estudante de Direito em Curitiba e responsável pela edição do jornal interno da Casa do Estudante, o então acadêmico contestava a ditadura, denunciava as torturas e o autoritarismo dos militares. Tinha como leitura de cabeceira o Caderno do Povo, Brasil Urgente e o Pasquim.
Estas publicações eram consideradas subversivas pelo governo, que caçava os jornalistas em todo o País. Felizmente não foi preso, apesar de participar ativamente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras agremiações estudantis. A censura na época, segundo o jornalista, vigiava de perto todos os movimentos editorais das capitais e muitos colegas foram presos ou considerados desaparecidos por causa do regime.
A partir do momento em que passou a editar a Tribuna Platinense, foi obrigado a ficar longe dos ideais subversivos e partir para um idealismo mais interiorano, que classificou como ''municipalismo''. Depois de manter contatos com clubes de serviços, como Lions e Rotary, prefeitura e Câmara de Vereadores, finalmente surgia na região, o primeiro jornal efetivamente platinense.


