Famílias brancas ameaçadas de terem suas terras imediatamente confiscadas pelo governo começaram ontem a empacotar seus pertences e discutir planos de abandonar suas casas, disseram líderes dos fazendeiros.
Proprietários de terras reuniram-se nos escritórios provinciais do Sindicato dos Fazendeiros e em clubes locais de fazendeiros enquanto suas mulheres empacotavam objetos de valor para o caso de ser necessária uma partida de emergência.
‘‘Nosso maior temor é que haja uma invasão em massa das fazendas’’ por pessoas buscando terra, equipamentos, animais e outras propriedades, disse Colin Cloete, um diretor do sindicato.
Alguns fazendeiros reunidos no distrito de Selous, 70 km a oeste da capital Harare, já haviam reunido seus gados para serem transportados em caminhões ou trens.
Uma proclamação, conhecida como um jornal oficial, divulgada na tarde de ontem, noticiou que o Estado iria começar imediatamente a confiscar 804 fazendas. Mais cedo, o jornal estatal Herald havia publicado a lista das propriedades.
Vicent Kwenda, diretor de aquisição de terras do governo de Robert Mugabe, afirmou ao jornal que as fazendas iriam ser divididas entre sem-terra negros imediatamente após os proprietários receberem pessoalmente o anúncio do confisco por parte do governo, provavelmente a partir de segunda-feira.
Novos colonos serão primeiro assentados na terra, e a construção de rodovias e de outras infra-estruturas ficará para depois, disse ele. O Herald publicou que novas leis agrárias não dão direito aos atuais proprietários de contestar o confisco.
A proclamação de ontem anunciou que a ‘‘aquisição compulsória’’ das fazendas estava sendo feita com base em emendas constitucionais aprovadas pelos deputados do partido governista em abril. As leis dão ao governo poder para nacionalizar terras sem pagar indenização.
O governo vem ignorando direitos constitucionais de propriedade e leis protegendo a propriedade privada durante a ocupação de mais de 1.400 fazendas de brancos por sem-terra e militantes do partido governista que teve início em fevereiro.
Mugabe tem considerado as ocupações ilegais como um protesto justificado contra a injusta concentração de terras nas mãos de descendentes de colonizadores britânicos.
Cerca de 4.000 fazendeiros brancos são donos de um terço das terras produtivas que abrigam 2 milhões de trabalhadores rurais e suas famílias, enquanto 7,5 milhões de outras pessoas vivem no resto.
O partido Movimento por Mudanças Democráticas, o maior rival do partido governista nas eleições parlamentares marcadas para 24 e 25 de junho, acusa Mugabe de estar permitindo as invasões e prometendo entregar mais terras a fim de melhorar sua desgastada imagem, e para punir fazendeiros brancos que apóiam abertamente a oposição.
Um homem branco foi espancado e estrangulado anteontem, em Bulawayo, a segunda cidade do Zimbábue, por vários agressores negros que chegaram a comemorar essa morte. A vítima não provocou seus agressores e o drama ocorreu na presença de transeuntes que esperavam o ônibus, mas nenhum deles tentou ajudá-la.

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