A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança, recebeu com tranquilidade a notícia de que a ONU e seu secretário-geral, Kofi Annan, conquistaram o Nobel da Paz deste ano. Ela também concorria ao prêmio, que pela primeira vez teve um brasileiro indicado. A divulgação aconteceu ontem, em Oslo. Otimista, ela afirmou que de certa forma a Pastoral também ganhou o prêmio, já que conquistou a torcida de boa parte do País e angariou novos voluntários, graças à indicação. Apenas nos últimos três meses, 2,2 mil pessoas ingressaram voluntariamente nas ações da Pastoral.
Ontem, às 6h15, ela chegou ao seu escritório em Curitiba e foi informada do resultado pelos seus assessores. Garantiu que não ficou surpresa. ''Quando aconteceram os atentados aos Estados Unidos, mês passado, eu comentei: perdemos o Nobel''. Ela disse ainda que foi ''excelente a decisão do Comitê Nobel da Noruega, que coloca a ONU e seu secretário numa posição ainda mais enfática de mediar relações e impedir que a violência se espalhe pelo mundo''.
Dezoito anos após a sua fundação, a Pastoral da Criança conta hoje com aproximadamente 150 mil voluntários, que acompanham mais de um milhão de famílias carentes. O trabalho é realizado em 32 mil comunidades organizadas em bolsões de pobreza e miséria do Brasil, além de estar presente em outros doze países: Paraguai, Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, Colômbia, Argentina, Chile, Angola, Guiné Bissau, Moçambique e Timor Leste.

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